quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

...



Adeus 2010. Não voltas mais.Deixaste tanta coisa. Obrigada.
Ah, e parabéns! Foste o melhor ano da minha vida até agora.

Sétimo dia

Quatro coisas que nunca esqueceste:
- montes de cheiros de coisas, sítios e pessoas;
- a minha infância com a minha avó;
- a minha (triste) aventura do Verão passado;
- a altura em que conheci o teatro, o meu 5º e 6º ano.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

bater com os copos: "tchim! tchim!"

Estamos quase em 2011. Depois só temos mais 2 anos de vida. É foda. Sim, o mundo acaba em 2012. O Ricardo diz e eu acredito nele, porque ele viu sobre essas coisas na net e faz-me acreditar que é verdade. Eu já tenho medo. Eu acredito muito nele. É um mestre, logo uma pessoa cheia de razão. Se ele estiver errado eu estou aqui para apanhar uma ganda bbadeira com ele na passagem de ano para 2013.


- PASSAGEM DE ANO COM A SOFIA
AHHADHALSJKFHSAÇDKLFJASDFLÇ
YKÇHKLDFGÇJKHGJ
GHK
GHJKLHJL
HJK
4546
gffgdfj

oh, obrigado.

colica, colica, colica

Eu atendo.
Inês diz: AIÁ!
Tropa diz: Iiiih, já tinha bué saudades tuas.
Inês diz: AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH! (com esta cara: *o*)
ADORO QUE ME LIGUES !
não deixes de o fazer, não podes.

não gosto de sabonetes

os mestres também se enganam.
fixem isso, fixem
fixem
fixem
fixem

mas FIXEM MESMO.

Sexto dia

Cinco pessoas que significam muito para mim:
- Mãe;
- Mana Filipa;
- Sofia;
- Ricardolas;
- Pai.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quinto dia

6 coisas que eu gostava muito de fazer e ainda não fiz:
- mergulho;
- coisar ahah;
- viajar;
- ir a um ganda concerto;
- acampar no avante (esta vai ser po ano de certeza);
- um filme.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

a próxima seta é para mim !

Tenho que começar a ver-me do lado de lá. Eu não fui feita para ser cupido, olha agora.

Com as palavras da Sofia faz-se isto:

Entrei pela porta da tua casa adentro. Estavam todos a jantar, menos tu. E era a ti que eu procurava. Depois de tudo o que aconteceu eu tinha que ir atrás de ti. Eu não conseguia esquecer todos os momentos que passámos assim tão facilmente. Não é por quereres que acontece. Eu nem dirigi palavra aos teus pais. Esqueci o respeito, a boa educação e tudo o resto e procurei-te pela casa. Não estavas. Saí pela porta das traseiras para ver se te encontrava no pontão de madeira a fazer o habitual. Já era tarde, estava escuro, mas consegui ver lá ao fundo o candeeiro aceso e então corri ao encontro da luz. Estava deserta de cair no conforto de um abraço teu e saber que estavas ali e não tinhas ido embora como me afirmas-te antes de desapareceres. O candeeiro estava aceso, os teus livros estavam lá, as folhas, as fotografias, o lápis, a borracha, os desenhos, um casaco… Estavam ali muitas partes tuas, mas sinal de ti não havia. Num sopro dado pelo vento senti o teu perfume. E cada vez mais aquilo me parecia uma despedida. Já a chorar, sentei-me, tirei os sapatos e fiquei com os pés mergulhados na água para ver se refrescava os pensamentos. Tencionava ficar ali á tua espera o tempo que fosse preciso, porque sabia que se voltasses ias ao encontro do que representava as tuas conquistas para ficares melhor. Começou a ficar frio e pus o teu casaco por cima dos meus ombros. Levei a minha mão ao bolso e encontrei a tua moeda da sorte. Aí vi que não podias ter ido longe nem embora para sempre e fiquei aliviada. Eras incapaz de abandonar aquela moeda. Levei a minha mão ao outro bolso e estava um balão vazio. Enchi e tinha escrito “A moeda fica contigo, desejo-te toda a sorte do mundo. Lança este balão ao rio, ele tem um caminho a seguir. Tal como tu. Com amor, Duarte”. Lancei o balão e tirei os pés da água. Peguei em tudo o que era teu e fui-me embora. Entrei na tua casa e estavam todos sentados no sofá a ver televisão. Disse boa noite e pedi desculpa. “Adeus Inês...”- responderam-me. Eles já sabiam de tudo. Entrei no carro e fiz-me á estrada.


Próxima etapa: comprar um coração novo. Porque este…? Caiu numa poça, ficou enlameado e pisado, já não vale nada.

Fly me to the moon - Frank Sinatra

Fly me to the moon
Let me play amoung the stars
Let me see what spring is like
On jupiter and mars

In other words, hold my hand
In other words, baby kiss me

Fill my heart with song and
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words, I'm in love with you

Fill my heart with song and
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words
In other words,
I, I love, I love you
Só para ti, Sofia.

Quarto dia

7 coisas que cruzam muito a minha mente:
-Escola de Teatro;
-Amigos;
-Música;
-O meu passado;
-O que aconteceu o ano passado;
-Presenças sobrenaturais;
-O que quero e não tenho.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

promessa cumprida

Prometi a mim mesma no dia 19/12/2009 que no dia 19/12/2010 faria um texto de tudo o que mudou na minha vida desde então até agora.

Uma viagem muita rápida do ano mais longo da minha vida:

Descobri-me de tal maneira que fiquei parva comigo mesma. No bem e no mal. Fiquei chocada comigo e até me cheguei a perguntar “És assim? Não estava nada á espera. Quero fugir!”. Nunca pensei fazer certas coisas que fiz. Falava dos outros e lixei-me pela minha boca grande.
Eu mudei. Não arranjei namorado, mas juntei amores perdidos. Apanhei a minha primeira bebedeira e vomitei-me toda. Deixei de conseguir beber alcoól. Escrevi uma peça e fui com ela a palco. Foi um sucesso. Descobri que devia mesmo seguir o meu sonho. Apaixonei-me pelo namorado da minha melhor amiga. Dormi pela primeira vez com um rapaz. Menti mais á minha mãe. Descobri quem eram os meus amigos. Fiz 15 anos. Deixei de ir ao Avante! com a minha irmã e passei a ir com amigos e arrebentei com tudo. Aumentei a minha cultura musical. Encontrei um Nelson Mandela chamado Ricardo Moreira. Deixei as minhas origens para agarrar o teatro. Esqueci o Rui. Uni-me muito ao Ricardo Gomes e fui obrigada a descolar-me de um segundo para o outro. Deixei de ter net e nunca mais tive. Pensei seriamente em participar no Ídolos, antes não me achava capaz. Afinal até acho. Deixei de ser amiga da Joana. Dormi na rua e isso fez-me ver coisas que não me deixam assim muito contente, mas foi excelente. Comecei a ir ao tucano. A Jéssica foi-se embora para Londres e não veio mais. Conheci o Fábio que agora trato como irmão, mas não sei bem defenir o que ele é na minha vida. Comecei a ouvir METAAALLL.
Descobri que a Sofia é uma pessoa e pêras. Descobri que não tenho sorte no amor e desisti. Só me calham duques e cenas tristes. As minhas mamas cresceram muito pouco. Passei a gostar de queijo e a comer mais fruta e sopa. O meu gato piorou da SIDA e fez-nos gastar muito dinheiro. Concluí que a minha irmã Jéssica não é nada para mim. Deixei de ver televisão. Estive perto de fumar. Fiz loucuras, porque quis experimentar aquela cena do “vou cagar em tudo” e na verdade até sabe muito bem (é das melhores coisas da vida), mas tem consequências. Acumulei mais alguns segredos á minha listinha. Estive quase a passar fome, mais uma vez. Comecei a usar tampões. Choro mais do que chorava. Estou mais sensível. Tenho um riso novo. Melhorei o meu inglês. Conheci imensas pessoas. Ganhei uma tara por cheiros. Comecei a puder usar toda a roupa da minha irmã Filipa. Caguei pá matemática. Deixei de ter rotina. Comecei a ter uma perspectiva muito mais real das coisas á minha volta. Descobri que tenho uma excelente maneira de ver as coisas. Comecei a pensar e a sonhar muito mais. Fiquei mais inteligente. O meu lado de adulta aumentou e o de criança diminuíu. Passei a dar muito mais valor ás pessoas. Fiz um amigo: Ricardo Moreira. Já não calço o 35 nem só o 36, também calço o 37. Passei de 1,50m para 1,70m, mas as pessoas não conseguem ver, só eu. Já sei o que é perder tudo por um erro nosso. Ganhei força, confiança e comecei a impor-me nas coisas. Reparei que a música vem desde sempre e será para sempre, por isso é a minha metade. Ele está sempre lá. Quando eu perdi tudo por um erro meu, não perdi a música. Foi a única que não me deixou. Agarrou-se a mim mais do que nunca. Criei mais ambições, o que é muito bom. Aprendi o que é que são os verdadeiros artistas e descobri que tenho alguns bem perto de mim. Contribuí para o crescimento da Sofia. E a minha amizade com ela também cresceu.
E mais não sei.

Sem medo das palavras, é agora, vou dizer tudo!:

Não gosto dos alunos da escola de teatro, especialmente os mais velhos. Não gosto da hierarquia que existe entre os diferentes anos. Não gosto do PC, tem muitas energias negativas e deixa-me em baixo. Não gosto do Carlos Avilez, ele é cínico. Não gosto das aulas do Carlos. Não gosto do facto de eles imporem milhares de regras sobre eles mesmos. Não gosto do ambiente da escola. Não gosto de não se poder dizer certas coisas. Não gosto de ter que agir de maneiras que não têm haver comigo. Não gosto da professora Natasha, ela fala mal comigo como se eu lhe tivesse feito mal ou fosse má aluna. Não gosto de tragédia. Não gosto do ciclo tebano e troiano. Não gosto de história da cultura e das artes. Não gosto de não poder querer ir-me embora logo a seguir ás aulas porque me apontam imediatamente o dedo. Não gosto que tenha que haver silêncio sempre em todo o lado. Não gosto que me digam “aqui não podes dizer isso, aqui tens que gostar disto, tens que saber falar disto, disto e disto… omg, não sabes isso? Que escândalo”. PORQUÊ? Vá. Digam. Vocês mesmos é que impuseram todas essas regras. Não gosto que toda a gente ache que conhece toda a gente sem conhecer e por isso falam bué á toa e metem nojo. Não gosto que as pessoas só se conheçam pela parte do teatro. É um mundo demasiado fechado e dá vontade de perguntar “o que é que eras antes disto? Qual era a tua vida? Onde está?” Não gosto que as mesmas faltas nos acompanhem durante os 3 anos. Acho que a escola devia ter um ambiente menos pesado. Estou no 1º ano e já estou muito farta de certas coisas. Não gosto de ter que viver só para aquilo. Não gosto de aquilo me tire o tempo todo. Não gosto de não poder dizer isto a ninguém porque irão dizer-me “se calhar é melhor desistires, não pareces gostar de teatro”. EU POSSO AMAR TEATRO SEM TER TANTAS REGRAS! PARA PROVAR QUE AMO AQUILO VERDADEIRAMENTE TENHO QUE OBDECER A TANTAS REGRAS PORQUÊ? Quem disse que tem que ser assim? Que frustração, a sério. E esta frustração toda dá o quê? Cansaço psicológico. E o cansaço psicológico dá o quê? Mau desempenho. E o mau desempenho dá o quê? Má fama. E a má fama dá o quê? Vontade de desistir. E a vontade de desistir dá o quê? Depressões. E depois morre-se. Estou a gozar.
Mas basicamente é isto.
Nota 1: Há dias em que me apetece mesmo deixar tudo e voltar á minha vida normal. Um dia…
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!

Terceiro dia

8 maneiras de ganhar o meu coração:
- ser quem é e não o que o mundo quer;
- sentido de humor;
- humildade;
- cheiro característico;
- com objectivos;
- sincero;
- aventureiro;
- compreensível.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Segundo dia

9 coisas sobre mim:
- gostava de ser uma fada;
- tenho duas cáries e não tenho dinheiro para arranjá-las;
- já tive bué piolhos;
- acho-me feia ahaha;
- com quem eu me rio mais é comigo própria;
- adoro a disney e irei adorar sempre, porque acho que deve fazer parte de qualquer pessoa;
- já não sei brincar;
- sou virgem e adoro;
- já pensei muitas vezes como seria eu ser mãe.

domingo, 19 de dezembro de 2010

10 dias, 10 coisas minhas.

Primeiro dia

10 coisas que tu gostarias de dizer a dez pessoas diferentes agora:

Pai – Tenho imensas saudades tuas e estou ansiosa pelo dia de Natal para estar contigo.

Ricardo Moreira – Obrigada por existires e estares aqui para mim. Áh e adorava que fosses mesmo para a escola de teatro, era loucura. Mesmo que já tenhas dito que sim, tenho a sensação que é bom demais para ser verdade. Tens a Sofia e muito dificilmente a deixas em troca do teatro. Não quero que o faças, aceitarei a tua escolha, só estou a dizer que era mesmo brutal ires :$

Cátia (prima) – Eu apercebi-me, magoaste-me e foi por isso que não fiquei lá. Eu estava fechada em casa a pensar “fogo, estou de férias, o que é que eu estou aqui a fazer? Tenho saudades delas, vou á Arrentela”, eu adoro estar com vocês e vocês são umas falsas. Agora podem esquecer que eu existo até ao ano que vem. Fiquei magoada a sério e agora não quero olhar para a vossa cara. Ás vezes acho que não merecem o que vos dou de mim. Não são as prendas que me dão que me preenchem. Pelo contrário. Até porque as prendas que me dão são vazios, por muito boas que sejam. Até outro dia daqui a não sei quanto tempo. Bom Natal, bom ano.

Sofia – Queria estar contigo todos os dias estas férias. Do meu lado seria possível, agora do teu… Não te digo isto para não te dar chatices com os teus pais, nem te quero estar sempre a fazer pedir-lhes coisas. E também tens mais que fazer.

Filipa (irmã) – Por mim já terias 10 prendas só tuas na árvore, mas não tenho dinheiro.

Jani – Não quero que penses que só és alguma coisa para mim por seres quem és (a Sandra dos Morangos com Açúcar, a Thai da novela Sentimentos, a rapariga que entrou na Rebelde Way ou a apresentadora não sei do quê na SIC K). Eu gosto imenso de ti porque és uma pessoa fantástica, cheia de talento, super humilde e sei lá, tens um brilho muito próprio e é quase impossível não gostar de ti. És exemplar. Pronto, não sou mais chata. Vou-me calar.

Ricardo Gomes – Para sempre.

Bia Fernandes – Apetecia-me ir dormir á tua casa e passarmos um dia juntas a rir que nem umas perdidas, mas devo 27€ á tua mãe e tenho vergonha, por isso esquece.

Liane – Eu acredito que ainda vais fazer cair muitos queixos. E tu também acreditas que eu sei.

João Vasco – Eu estava mal da voz. Não lhe menti, esta é a verdade: eu estive mesmo doente. Fiquei triste comigo pela prestação na Brízida, não pense que fiquei a babar-me de mim própria. Quero melhorar muito para a próxima peça. Peço desculpa por todas as vezes que lhe desrespeitámos ou fizemos ficar sem paciência, deviamos ter mais consciência da pessoa que temos ao nosso lado. Obrigada por não nos ter deixado e não ter desistido de nós. Espero que não desista, isso também nos ajuda a seguir em frente. Obrigada, muito obrigada. Prometo começar a ser melhor aluna em Janeiro de 2011. Bom Natal e um própero ano novo, professor.

Esta é para mim porque estou a precisar:


Prendas...

Não tenho dinheiro! Isto revolta uma pessoa.

O meu herói de pantufas e guitarra na mão

És o meu herói. Admiro-te imenso. Conseguiste. Apartir de hoje vou lembrar-me desta vossa história e tenho a certeza que me dará força para muita coisa. Lutar, todos dizerem que não és capaz e no final saíres vitorioso. É incrível. Com todos os indícios de que já não conseguias e era melhor desistires, tu continuaste e mostraste que com o tempo até um urso aprende a dançar.

Eu disse que não te deixava até saíres com um sorriso nas ventas.

P.S.- Para todos aqueles que tiverem tristes no amor, desiludidos, cegos ou prestes a desistir vejam o filme “O amor acontece”. Este filme mudou uma história. Mesmo aqui ao meu lado. Nunca desistam daquilo em que acreditam.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Não contes a ninguém


Ás vezes apetece-me deixar tudo e ir embora.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Uma fiambrada pela cara. Duas fiambradas pela cara. Três fiambradas pela cara.

Podes fazê-lo. Faz. Impurra-me. Eu não me importo. Eu quero é ver-te bem. Quando chegar o dia em que eu estiver farta que me façam coisas destas e queira virar tudo do avesso, tenho direito, porque até agora sempre estive caladinha e engoli tudo. Não quero que esse dia chegue depressa. Nããooo, não é preciso. Eu vou estando para aqui com as minhas coisas enquanto eles são felizes com a minha ajuda. Não faz mal. Só magoa um bocadinho. E quem não aguenta esse bocadinho? Tantos bocadinhos que já aguentei… Espero depois não ter que atirá-los á tromba de alguém que apareça na minha vida na altura em que eu já estou farta de acumular esses tais bocadinhos.
Não te preocupes comigo. Se até agora não te preocupaste não precisas de te preocupar. Preocupo-me eu contigo. Isso chega. Não sei como é que a Inês A ainda não saiu da cápsula para mandar um grito a alguém. A Inês B está farta de gritar para a Inês A sair, mas ela diz que ainda não é hora e se calhar ainda vai demorar uns anos. Por um lado é bom, assim não se gasta tão depressa. Se com a idade que eu tenho a Inês A se pusesse já a gritar ia tudo ser mais rápido e mais curto. A Inês B vai gritando algumas coisas que não aguenta, mas como respeita quem quer manter o silêncio redime-se e cala-se. Não te vou dizer que a Inês A também não se revolta e desmancha. Ela tem as suas quedas, está numa cápsula mesmo por isso, é de vidro. Mas ainda há outra Inês que não sei que letra é que consegue acalmar as duas que tenho referido. A coisa ainda se gere.

Portanto não te assustes. Não é desta que te viro as costas e “estou-me a cagar”. Ainda falta. Por isso ainda podes contar comigo. Podes contar comigo para tudo. Para te ver feliz eu sou capaz de dar uma volta ao mundo em cuecas, ou então não, mas quase isso. O que significa que tudo o que fizer por ti é á séria e com todo o meu coração. Não queria que desprezasses isso, mas pronto. Vá, faz o que quiseres. Aproveita. Aproveita enquanto a Inês A não acorda.
A tua sorte é que as 3 Inêses te adoram imenso.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sim, tu.


Eu acho que tu és aquela gaja que me vai ajudar a escolher o vestido de casamento e a que vai gritar (de excitação) comigo antes de me casar.

Váá, diz lá: Mas tu não te querias casar!

Meu tropinha, 'brigadão


Uma palavra de incentivo:

BOORAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA !

Tony, Tony...

Eu gostava que me soubessem responder ao porquê de o Tony Carreira ter tanto sucesso.
Não é que me importe muito e também não interfere com a minha felicidade, mas faz-me um pitz de comichão…

O que é isto? Opa, não tenho nada contra, a sério, mas... Enfim.

Ervilhas com bichoo

Eu não pensei que fosse aquilo que me falta-se. Era, era, era! Eu voltei. Sabes quando vais viajar, e adoras ir viajar e para onde vais e isso tudo, e depois tens que te vir embora e saber isso até é bom porque estás de volta á tua casa e ás tuas coisas? Aquela sensação de chegares á TUA casa… Sabes? É isso que sinto. Respirar fundo já não é só um respirar fundo de cansaço ou de estar farta ou até mesmo de falta de ar. É um respirar de alívio, de conforto e de AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!
Falta-me a palavra. Mas tu percebeste, é isso.

Bia, já tinha mesmo saudades de abrir a boca e tu rires-te com tudo o que digo. Há 3 meses que me tinham feito esquecer que eu até tenho alguma piada.

OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA

Era o que mais faltava

SE EU SEI QUE A FAZES SENTIR MAL E SOZINHA EM VEZ DE A ACONCHEGARES COMO ELA PRECISA EU APERTO-TE O GARGANETE!
Que fique bem claro.

Isso não pode ser assim


Antes era a ditadura, as pessoas não podiam sequer abrir a boca. Depois deu-se o 25 de Abril e as pessoas passaram todas a achar que tinham o poder de tudo. Liberdade? Siiiim… Mas liberdade também tem uma regra. Liberdade é um direito, podemos fazer tudo o que queremos com a regra de não poder magoar os outros nem destabilizar o seu espaço . O que as pessoas ainda não perceberam.
Contigo passou-se o mesmo. Sempre te calaste e engoliste tudo, eras ingénua e pouco forte para saberes erguer a tua armadura (sim, sempre a tiveste), deu-se o “25 de Abril” na tua vida e tu começaste a achar que por isso ter acontecido agora tinhas o direito de mandar tudo pelo ar sem olhar ao que importa. Tens o direito de estar mais segura e confiante, orgulho-me de ti por teres conseguido erguer a tua armadura, mas não tens que magoar ninguém só porque agora tens todas as tuas decisões na ponta da língua.
Mas o pior, pior é que não sei se tens. Acho que é só fogo de vista.

Palavras minhas e do M.

T.P.

Eu chego e sento-me aqui. Tu chegas e sentas-te ali. Olhas para mim e não encontro ponta de expressão na tua cara. Eu sorrio-te sem nunca receber troco. Mantens-te ali, fazendo do silêncio uma barreira para nós. Passados uns segundos ela entra e senta-se ao teu colo. Tu sorris, aconchegas-a para ti e dizes-lhe coisas bonitas baixinho. Dás-lhe presentes e atenção, brincas com ela. Ficam assim uma eternidade. Enquanto em mim cresce a revolta.
Ela olha para mim e vem ter comigo, finalmente alguém me dá sinais de que eu estou realmente viva. Sabe quem sou e diz “Não o chames pai, chama Zé!” e volta para perto de ti. A revolta continua a crescer. Tu continuas a dar-lhe atenção e mimos. Ela já nem dá valor ao que fazes por ela, pois sabe que te tem ali. Estás-lhe garantido. És pai, é suposto estares. Eu se calhar também pensava assim e tu foste-te embora. Que pena.
Ela vem ter comigo e tenta brincar a alguma coisa. Mas tudo de uma maneira muito forçada, como quem faz um favor só mesmo por simpatia ou porque tem que ser e porque parece bem. Ela não sabe brincar e as tentativas são falhadas, só me magoa e ri-se que nem uma perdida. E a revolta cresce.
Tu chama-la de novo e continuas a dar-lhe tudo o que ela não merece. Eu começo a chamar por ti. Levanto-me da cadeira e tento falar convosco. Nem sequer para mim olham. Eu toco-te no ombro e sorrio, a revolta já crescida ainda não me deita ao chão.
Sento-me de novo e começo ás voltas na cadeira. A revolta corroi e eu não aguento. Não tenho que aguentar mais. Grito. Vocês páram e olham para mim. Torno-me alguém. Vêm ter comigo e mostram-se preocupados. Agora? AH!, é tarde. Mas é tarde mesmo. Eu vou-me embora. Caguei.

sábado, 27 de novembro de 2010

Cozinheiro de excelência

Ao bom cozinheiro que tu és:
Abriste-me as portas do teu restaurante, sem quase olhar o tipo de cliente que eu era. Ou então fizeste-o sem eu perceber. Tens uma entrada convidativa. Sentei-me e já calculava mais ou menos o que trazia o menu, tinham falado imenso de ti e sentia que já te conhecia de ginjeira. Estava ansiosa por ver o que eras mesmo capaz de fazer naquela cozinha. Escolheste por mim. E não esperei muito até ter a comida pronta e quente á minha frente no prato. Pareceu-me ser apenas uma entrada, disseste que não te tinha dado muito trabalho que era simples, mas de chorar por mais. Só me lembro da primeira garfada e depois o prato vazio. Estava verdadeiramente sublime. Queria chamar-te para te dar os parabéns, mas já sei como és. Um elogio eleva-te demasiado. Penso que viste na minha cara que achei aquela entrada divinal. Ficaste a observar-me o tempo inteiro. Interessava-te que eu gostasse, não que fosse importante para ti.
Na tua cozinha só tu tens lugar. Acho que poucas ou quase nenhumas foram as pessoas que lá entraram. Parece que esconde um segredo enorme. Bem, afinal de contas é lá que se passa tudo. É esse sítio que faz o teu negócio crescer. Uns dizem que os teus menus são sempre os mesmos e estão fartos de lá ir. Outros não se cansam dos mesmos sabores porque te amam enquanto cozinheiro e sabem que sabes variar a ementa. Tens um jeito tão teu. Nunca vi nada assim. Pareces não precisar da ajuda de ninguém. Achas que sozinho chegas a tudo o que quiseres. E até é um bocadinho verdade. Tens cabeça suficiente para segurar tudo. Isso já eu vi mais que bem. Não deixas que nada falhe para o teu lado, porque se correr mal para alguém não te importa. Mas se um dia o teu restaurante deixar de ter cliente sei que acabas contigo.
Consegues sempre surpreender-me. Depois de lá ter ido a primeira vez, houve outra em que me serviste em primeiro lugar a sobremesa. Eu sempre comi tudo sem medo do que iria saborear. Eu confiava em ti. E acho que ainda confio, apesar de já teres cometido uns descuidos.
Falas pouco. Limitas-te simplesmente a agir. As tuas mãos e a tua cabeça são as únicas coisas que trabalham. Gostava de saber a tua história. De onde vieste e como nasceu essa paixão. Quem é que tiveste - se é que esteve alguém - contigo na tua vida. Pelo que sei, a vida já te ensinou muita coisa. E tu tiraste proveito disso para te dedicares ao que és hoje: um Cozinheiro de Excelência. Pouca gente conhece esse teu jeito. O restaurante não está ao saber de todos. Mas eu acredito que um dia te darás a conhecer ao mundo. Porque sei que no fundo queres.

Adeusinho, até depois.

Eu vou desistir, mas na descontra. Não tenho sorte nenhuma.
E não me venham chamar de coitadinha, é bem verdade. Eu melhor que ninguém sei do que estou a falar.

Calorzinho no coração

Há dias em que reparo que és enorme e que fazes muita falta na minha vida [diariamente].

domingo, 7 de novembro de 2010

As minhas palavras

choraste, incrível.

sábado, 6 de novembro de 2010

Personagem


"Nome: Brizida Vaz
Quem foi e quem é?
Brizida Vaz nasceu num meio pobre. Teve uma infância difícil e triste. Sempre sonhou muito alto e sempre ambicionou sair do meio em que viveu até aos 16 anos. Aí fugiu, sem olhar a mais nada. Pois achava que os pais viviam da maneira que viviam por culpa própria e ela achava que não era aquilo que lhe pertencia. Quis mostrar aos pais que podia ser muito mais que aquilo em que eles sempre se mantiveram. Por tempos viveu na rua e aí cresceu imenso e tornou-se numa pessoa falsa, pois foi a única maneira que ela arranjou de se sentir bem consigo própria. Era uma infeliz, mas não queria admiti-lo. Tinha falhado a tentativa de ir ser feliz. Revoltada e sem outra opção, entregou-se á má vida. Tornou-se prostituta. E apartir desse momento quis por um ponto final em tudo o que já tinha passado. Quis esquecer e seguir com uma nova vida. E foi aí que ela achou ter encontrado o amor e quem realmente lhe desse o que ela achava que merecia. Sem nunca mais voltar a casa, manteve-se nessa vida durante longos anos até se tornar dona de um bordel pela experiência que já tinha. Deu guarida e trabalho a muitas raparigas novas que tinham histórias semelhantes á sua. Achava-se muito religiosa e dava-se muito a Deus. Encheu-se de dívidas e tinha imensos problemas com os tribunais. Mesmo assim achava-se uma grande senhora por ter conseguido tudo o que conseguiu na sua vida. Fazia-se de coitada para conseguir o que queria e era muito orgulhosa de tudo o que tinha a seu poder."

Bem, acho que está bom. Agora esta história tem que passar a ser a minha.

PC 1ªA

Senti-vos, finalmente!
Senti o calor á nossa volta quando nos sentámos no chão em roda.
Vi que não é só um ou outro de vocês que importa, são todos.
Cada um de vocês é um.
Somos todos diferentes, mas temos a maior coisa de todas em comum: O TEATRO.
Isso ninguém nos tira. Está dentro de nós. Temos a mesma meta.
Agora é que consegui ver a sorte que tenho em estar onde estou, as PESSOAS que tenho á minha volta e o quanto elas me dão todos os dias e o quanto me fazem crescer.
Estou tão feliz.
Ainda não tinha reparado que vocês estavam ali. Estão mesmo.
MUITO, MUITO OBRIGADA!
Estamos juntos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

coisinha interessante

Clássicos Gregos & Latinos
Sófocles - Rei Édipo, página 15:
"Dura é a aprendizagem do tempo, porque é na queda que ela se opera."

vocês;

Nunca é tarde demais. Corre, procura o teu caminho. Não pares. Ganha certezas. Tudo o que perderes é porque tinha que ser perdido. Continua! Cala bocas. Cria desafios todos os dias. Se doer é sinal que estás vivo. Aprende a ouvir o que não queres e a ficar calado. Dá sempre o teu melhor. Agarra os TEUS momentos como se fossem uma vida. Dá valor ás pequenas coisas, porque essas sim, vão fazer coisas enormes. Sê humilde, se tiveres que chegar alto chegas sendo como és. Protege-te. Toma conta de ti. Faz sempre mais que aquilo que achas que consegues. Não te esqueças de respirar fundo. Obedece. Observa. Não uses máscaras. Não deixes que alguém comande a tua felicidade. Chora o quanto precisares. Sente o que está á tua volta. Respeita. Aproveita o que tens. Aprende com tudo o que for possível. Engole as injustiças e cresce com elas. Trabalha. Encara o cansaço como esforço e dedicação da tua parte. Orgulha-te de ti. Surpreende-te. Sê forte e dá força. Não reclames e faz o que te compete. Concentra-te. Habitua-te a ter pouco tempo para a vida fora do teu sonho. Dá tempo ao tempo. Estabelece metas. Ganha estômago. Entrega-te de alma e coração. Soa. Sente-te a explodir. Procura calor humano. Não desistas, porque isso não é opção. Ouve. Joga como equipa, mas pensa primeiro em ti. Confia. Não fumes ! Dá valor a quem te apoia. Não desistas das pessoas, todas têm um lado bom. Sê curioso e vai descobrir. Cresce, mas para dentro, para ti. Sê simples. Não dês desculpas, tens a obrigação de na próxima fazer melhor. Aguenta sempre mais um bocadinho. Aprende a guardar um segredo. Sente. Espera. Controla-te. Grita. Aplaude. VIVE!

marota

Como é que se esconde um portátil numa aula de psicologia?
Não sei, mas está escondido e eu estou a escrever.
Era suposto esta ser uma boa aula e que me desse interesse… É pena.
Ela está para ali a falar de hipnose. Hipnotizada está ela e pensa-se alguém -.-
E tenho dois colegas na minha turma que estão neste momento a puxar os boxers para cima e a dizer “suck my…” qualquer coisa.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Caldeirada

Tem sido tudo muito complicado. Estás feito um nabo e eu tenho pena de ti. Sou tua amiga e faço dos teus problemas os meus. Não te largo enquanto não estiverem fora da jogada. Sou a única que tem estado contigo, mais ninguém tem paciência (não quero dizer o porquê agora). Pouca gente acredita que tens coração. Mas eu já o vi e já não me importa o que foste, mas sim o que és neste momento.
É difícil ter força quando mais ninguém acredita em nós, só nós próprios é que nos guiamos, mas eu agora estou contigo. Calma. Quando dizes que não tens mais força e que não consegues, eu sei que dentro de ti ainda há alguma coisa que te faz levantar. E levantaste. Caímos os dois e levantamos os dois.
Não chores, assim enferrujas. Eu queria estar contigo para travar esse choro, mas não estou, então choro contigo. Assim enferrujo eu também.

Estamos juntos, não quero que te esqueças disso.

Porque é que vocês andam sempre tão feias?

Saltos altos? SALTOS ALTOS! Porquê? Sinto que tenho mais responsabilidades em cima e não quero. Tenho uma grande dificuldade em ver-me mais velha que aquilo que sou. Vejo que há coisas que são todas tão mais fáceis de resolver tendo a minha idade que quero que seja assim sempre. E é aí que vou ter problemas. Eu sei agir com cabeça, não me sinto propriamente uma criança, mas também não quero ser um adulto. Não quero usar saltos altos. Não quero.

domingo, 31 de outubro de 2010

JZ

Posso considerar-te desconhecida, porque ainda não te sei decor, nem tão pouco mais ou menos. Só um bocadinho, porque és muito pura (e ainda vais ficar mais, vais deixar de fumar). Não sei o porquê de escrever sobre ti. Preciso e acho que isso chega. Fico a observar-te uma eternidade. Os teus cabelos pretos. A tua roupa super normal. Os teus olhos. Vejo o quanto por fora não és portuguesa. A tua boca, os dentes. A tua franja mal apanhada. Vejo-te trabalhar, enganares-te e fazeres-me rir com os palavrões que despejas por teres dito mal uma palavra. Vejo-te ficares cansada, mas continuares porque tem que ser. A sorrires quando olhas para mim e vês que me estou a desmanchar por dentro. O teu gozo. O teu jeito de maria-rapaz. A tua porquice a comer. A defesa que fazes ás tuas origens. A alma que pões na representação. A tua vontade de mandar alguém para o caralho mas manteres-te calada. Lembro-me que tens sido o meu calor humano. És uma pessoa extraordinária. És linda. O pouco que me tens dado de ti tem sido imenso. Um dia digo-te isto.
Dou por mim com uma vontade quase involuntária de te querer abraçar até ficares sem ar. E aí ainda fico mais parva a olhar para ti. Não faço nada. Quer dizer, no outro dia fiz. Dei-te o abraço que precisava. E dei-te imensos beijinhos e disse que eras fofinha. Opaah, que lamechinhas.
Acho que te estás a tornar uma pessoa com alguma importância na minha vida.
Obrigada j, obrigada.

(reparei que é assim que começo a gostar realmente das pessoas, a observar. melhor!, reparei que me apaixono pela beleza interior das pessoas)

sábado, 30 de outubro de 2010

pois

Não. A culpa não é da falta de tempo. Não é, nem nunca será. Percebido?

hã?

(...)
Inês diz: Professor, eu acho que tudo é eterno. Não é, é eternamente o mesmo.

gostava que me dissesses onde é que agora páras; queria parar contigo

Olha lá para trás, lembra-te de tudo. Pensa lá bem se isto faz algum sentido e se é necessário... Eu não me esqueci de nada. Muito menos da promessa.
Depois diz-me alguma coisa, é que eu estou á tua espera. E acho que essa espera já fez um mês.

domingo, 19 de setembro de 2010

Deixa-te de meter guardanapinhos nas pernas à refeição. Não precisas de te sentar sempre direita. Não tens que comer com calma e em silêncio.
Se não queres isso, porque é que continuas a fazê-lo? Não está escrito em lado nenhum que tens que agir assim. Se a tua maior vontade até é mandar os pratos todos pelo ar, MANDA! Não interessa se é correcto ou não. Esquece o que é que as pessoas irão pensar. Faz o que queres AGORA. Aproveita.
Deixa-te de merdas.

domingo, 12 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sapatos de salto alto com asas

Eu só te quero ver bem. Por isso, vai-te embora. Tu precisas. Precisas de algo novo
e não há nada melhor neste momento que não partires. Por mais frágil e sozinha que me sinta, não te preocupes, eu por ti vou ficar bem. Vou dar um grande pulo.
Vem aí um ano novo. A minha vida vai mudar bruscamente e eu preciso de ti mais que nunca. Foste tu que me deste força para isto e sempre disseste que fazias tudo para eu ter aquilo que sonhava, então aqui vou eu. Vou lembrar-me de tudo o que me deste e espero ter força para começar este ano lectivo tão desconhecido sem ti. Não quero deitar nem mais uma lágrima. Eu sei que sou capaz. Se ao eu sorrir tu também sorris, então prometo-te sorrir sempre.
Vai. Não olhes para trás. Vai fazer-te bem. A nossa casa vai ficar vazia, mas é para teu bem e isso vale a pena. Vou retribuir tudo o que fizeste por mim. Eu vou ficar aqui a orar para que tenhas sorte e recuperes a tua felicidade que há tanto perdeste. Tu mereces. Vou sentir muito a tua falta. Afinal, és minha Mãe.
Eu tenho quem fique comigo, não quero que olhes para trás por mim.
Vai. Ás vezes precisamos de nos afastar de tudo o que é nosso para recuperarmos o que éramos. Tudo ao início custa muito, mas eu vou habituar-me. Sou forte. Sempre fui. Eu tomo conta de mim com tudo aquilo que me ensinaste. Já estou uma mulherzinha. Não precisas mais de me segurar nas mãos para eu andar.
Faz as malas e pelo menos uma vez na vida pensa em ti e só em ti. Eu estou a ver a nossa casa a desmoronar-se. Estás cada vez mais triste e doente. Não tenhas medo de ir. Vai como nunca foste. Deixa cá tudo o que não interessa. Quando voltares tudo estará bem. Eu acredito. Unidas numa só vamos sair desta.


P.S.- E é assim que mais uma vez és obrigada a mudar a tua vida por uma pessoa que não te merece nem te quer ver feliz. Quando for verdadeiramente crescida, não irei deixar que façam o mesmo comigo. Isto pelo que já te vi sofrer.

3, 4 e 5

Sinto que ganhei poderes e que voei, mas voei mesmo.
Dancei e pulei até quase vomitar. Esqueci que existia a vergonha. Corri até ficar sem forças só para sentir uma coisa de 5 minutos. Deitei-me onde quis, porque sentia que tudo me pertencia. Chorei por ver tanta gente a sorrir como sempre faço. Quase não comi, porque a euforia alimentava-me. Falei com pessoas que nunca mais vou ver na vida, mesmo dizendo as coisas mais estúpidas elas levavam-se na conversa. Tirei fotografias, porque é sempre bem ficar com vestígios concretos daquilo que aconteceu. Quase desmaiei de tanto calor e também chorei por isso. Fiquei com relva em todo o lado, incluindo nas cuecas. Matei saudades. Se calhar até fiz asneiras, mas não faz mal porque foi isso que me fez sentir viva como há muito não me sentia. E não, não admito que me digam alguma coisa a respeito disso. Estive-me completamente a cagar para os laços e compromissos que tinha com as pessoas que gosto.
Eu voltei a mim. Encontrei-me de novo. Todos os fósforos se acenderam e até quis morrer por não aguentar tanta explosão ao mesmo tempo. Estive num mundo igual a mim. Muito diferente a este cá de fora. Um mundo em que a entrada se paga 19,50€ por 3 dias. E onde ninguém se queixa, vivem simplesmente e deitam tudo cá para fora. É assim que devia ser sempre. Sujei-me toda e deixei de dar importância ao que aparentava porque todos faziam o mesmo. Aprendi muitas coisas, porque eu gosto de aprender tudo o que posso onde quer que vá. Bebi e fiquei um bocadinho baralhada, mas lembro-me de tudo. Fiquei sem voz e senti que levei uma tareia. Não dormi as noites inteiras e bebi tanta água que até fiquei parva comigo mesma.
Valeu a pena. Porque aquilo fez-me ver o que eu era verdadeiramente. Comecei a ver as coisas de outra maneira e agora é tudo muito mais fácil.
Estou-me a cagar simplesmente.
O meu cérebro está um bocado lento, ainda. E parece que entrei numa corrida onde não irei encontrar a minha meta. Mas vou encontrar e não vou parar agora.
Não quero.
E nestes 3 dias senti que fui eu, a Inês Realista Moura. Como nunca tinha sido.
Já não sei se me fez bem ou mal. Foi positivo e ESTOU TODA ATROFIADA! Mas sei o que faço.
Eu estou bem, acho que estou mesmo bem.

Ai

Eu acho que já não me conheço.
Isso é muito mau? É que eu estou a gostar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sorriso

Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas podres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúscula) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.
Mas eu falava de gente, de nós, que fazemos aprendizagem do sorriso e dos sorrisos ao longo da vida própria e das alheias.
A tudo isto é que eu chamo sabedoria.
Dir-me-ão que não cabe tanto no sorriso. Eu digo que cabe. Soube-o a noite passada, quando foi ele a única resposta para a insónia e para os monstros do pesadelo nascido no sono onde o corpo acabou por deslizar, cansado e aflito. Sorrir assim, mesmo sem olhos que nos recebam, é o verbo mais transitivo de todas as gramáticas. Pessoal e rigorosamente transmissível. O ponto está em haver quem o conjugue.

José Saramago

Apeteceu-me.

Como é claro, nós crescemos. E como é claro, estas coisas acontecem.
Aprendi, que a imperfeição de cada coisa faz a coisa perfeita. Aprendi que os amigos vão e vem. Aprendi, que não nus devemos rebaixar por ninguém. Aprendi, que uma pessoa não é tudo para nós. Aprendi, que não podemos depender da amizade de ninguém, não podemos contar com aquela pessoa sempre e para sempre. Aprendi, que cada coisa dura o tempo necessário para ser inesquecível. Aprendi, que não é apenas um melhor amigo, que nus dá os melhores conselhos. Aprendi, que podemos transformar muitas lágrimas em sorrisos. Aprendi, que não devemos voltar com coisas do passado, mas apenas aprender com elas. Aprendi, que os amigos são a família que a vida nus permite escolher. Aprendi, que nus devemos achar sempre fortes, porque assim é mais fácil acreditar e continuar. Aprendi, que podemos fazer muita coisa por alguém, e ficamos felizes mesmo sem receber um obrigado. Aprendi que devemos ser sempre sinceros connosco próprios. Aprendi que não devemos mentir (magoar para nus proteger). Aprendi, a partilhar o que é meu. Aprendi, que as acções ficam para quem as faz, e se achamos que uma certa acção não foi boa para connosco, não devemos retribuir na mesma moeda, mas sim mostrar que somos melhores. Aprendi, que um simples gesto pode mudar muita coisa. Aprendi, que antes de tudo estamos nós próprios. Aprendi, que não podemos afirmar o “para sempre”, apenas acreditar. Aprendi, a virar as costas ao que não interessa. Aprendi, que há feitios difíceis, mas podemos ser mais fortes que eles. Aprendi, que sem humildade não vamos a lado nenhum. Aprendi, que não devemos pôr ninguém no topo da nossa vida, porque ninguém nus põe a nós e quando pomos deixa de haver respeito. Aprendi, que um gesto vale muito. Aprendi, que podemos dar fortes gargalhadas, mesmo quando temos um problema. Aprendi, que os pensamentos negativos, não nus levam a lado nenhum. Aprendi, que uma melhor amiga é uma irmã. Aprendi, que ninguém faz mais por nós que nós próprios. Aprendi a encarar medos. Aprendi, que quem ama perdoa sempre, pode não ser amanhã nem um dia destes, mas perdoa. Aprendi, que temos de sorrir com sinceridade nem que seja só por simpatia. Aprendi, que não devemos entregarmo-nos por inteiro a ninguém. Aprendi, que para termos o que queremos basta fazer um esforço. Aprendi, que o sermos felizes depende de nós próprios. Aprendi, que os ciúmes podem-se tornar maus para as duas pessoas (na amizade, e não só). Aprendi, que por falta de comunicação podem surgir problemas. Aprendi, que não devemos complicar o que não é complicado. Devemos levar tudo da maneira mais simples, mesmo quando nus parece impossível. Aprendi, que só devemos pedir desculpa, quando for mesmo necessário e a outra pessoa merecer. Aprendi, que para construir a confiança demoramos anos, e para destruí-la segundos. Aprendi, que a verdadeira cumplicidade tem-se com poucas pessoas. Aprendi que nunca nus devemos arrepender de nada. Aprendi a guardar verdadeiramente um segredo. Aprendi, que em pouco tempo uma amizade pode tornar-se muito, mas mesmo muito forte. Aprendi, que não devemos julgar ninguém pela aparência. Aprendi que a mentira dói a valer. Aprendi que amigos, há muito poucos. Aprendi que não é preciso ter muitos para estarmos completos. Aprendi que não podemos ficar de olhos postos no futuro, porque é demasiado inseguro. Aprendi que quando há amigos, não tem que haver medo. Aprendi que o sorriso de alguém pode mudar-nos o dia. Aprendi que um dia tudo muda. Aprendi que preciso mais das pessoas, que elas de mim. Aprendi que não temos que mudar os amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Aprendi que o caminho mais fácil, nem sempre é o melhor. Aprendi que quando temos razão, não nos devemos calar. Aprendi que nada acontece ao acaso. Tudo tem uma razão. Aprendi que lá por um melhor amigo ter o direito de saber (quase) tudo, não significa que tenha de nus controlar. Aprendi que por mais que digamos que não sabemos viver sem aquela pessoa, um dia quando a perdemos, continuamos. Aprendi que o mundo não pára por estarmos tristes. Aprendi, que ao longo da vida temos direito a cometer os erros que quisermos, e não quisermos. Ninguém nus tem que impedir, porque com eles aprendemos sempre mais alguma coisa. Aprendi que é fácil falar.


P.S -Cada frase daquelas, tem um sentimento. Se te cansaste a ler não sei, que tive orgulho em escrever, tive.

Para a minha mãe que se foi esquecendo dela própria ao longo da vida.

Já fizeste alguma coisa para ti hoje? (Responde) E ontem? (Responde) E anteontem? (Responde) Já tiraste um dia para fazer coisas só para ti? (Responde) Já pensaste que também mereces? (Responde) Primeiro que tudo o que dás aos outros, tu mereces tanto ou mais que isso. Maior parte das coisas que fazes são a pensar em ti? (Responde) Eu vejo isso passar por mim, ou melhor, a chegar á minha mãe. Ela diz “Hoje as minhas meninas não jantam em casa, não vou fazer jantar só para mim, isso tem algum jeito?!”, olha eu acho que tem. Tirares um tempo para ti, não é bom? (Sim, é para responderes) Fazeres um jantar que só tu gostas. Preparares tudo a preceito. Deliciares-te. Ouvires a tua música, descontraíres e pensares no teu bem-estar. Há alguém que faça mais por ti do que tu mesma? NÃO! (esta respondi eu, porque tenho a certeza da resposta) Ninguém pode fazer nada por ti. Porque é que passas a vida a fazer tudo por todos? Será em algum sentido para agradar, ou para ver os outros felizes. Mas ás vezes, todos os outros estão bem (muitas vezes nós também contribuímos para essa felicidade) e nós estamos de rastos (ou quase, ou mais ou menos assim assim). Porque os outros depois de realizados esquecem-se um bocadinho de nós, e nós esquecemo-nos de nós próprios. Porque é que quando queremos ir a algum sítio que gostamos imenso convidamos alguém? (Não respondas) E se esse alguém diz que não, não vamos? Sim, é bom partilhar um bom sítio com alguém e aí viver bons momentos, mas também bom irmos sozinhos. Imaginemos ir passear ao pé do mar, eu iria sozinha. Molhava os pés. Comia um gelado. Deitava-me na areia e ficava ali comigo. Isto no Verão, claro. Esquecia os outros. Parava de pensar que tinha que ir embora para falar com esta ou com aquela. Parava de pensar que estar ali sozinha sem fazer nada era perder tempo. Ou porque tinha que fazer isto ou aquilo. Tantas pessoas que com os anos que passam vão vivendo para os outros, para as paixões e para os amigos. Esquecem-se de si mesmos. E não morrem felizes. Tenho a certeza que não. Porque se desgastam e em parte não são realizadas. Muitas vezes, onde quer que estejamos exigem demasiado de nós e ficamos a achar que temos que dar sempre muito.
No Natal, em vez de pedir prendas, vou a uma loja e compro uma para mim. A empregada pergunta “É para oferta?”, e eu digo “É para mim, mas pode embrulhar.”


E que tal ires comprar umas pipocas, alugares uma comédia e veres sozinha no teu sofá? Não penses que por ser só para ti não faz sentido. Porque também mereces.

balões

Não gosto de dizer isto, nem gosto que isto aconteça, mas... Está tudo nas minhas mãos.





Sofia diz: "Então vê lá se as fechas bem e apertas com força."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sujei-me toda.

Mãe, eu também tenho dúvidas, - ainda mais na minha idade, que elas me invadem como se fosse tudo delas e pudessem ficar - de vez em quando elas surgem e eu tenho o direito de as analizar. Mesmo que aches que só atrapalham. Até podem servir para reforçar as minhas certezas.

Nem me deixaste acabar de falar. Afincaste-me com a certeza que tinha que permanecer certa pelas minhas trombas e eu engoli-a bem escaldada. A verdade é que me tiraste a dúvida.

Engoli o choro. Senti que se ele se soltasse ia enferrujar mais uma parte minha. E eu não queria. Adormeci por estar revoltada de não me teres deixado exprimir a rebaldaria que estava na minha cabeça.

Obrigada. Obrigada pelas trombas que me fizeste carregar o dia inteiro, obrigada por teres gritado e dito "não desistes de nada sem que primeiro vejas". Valeu a pena. Porque agora, agora estou com um sorriso na cara.

domingo, 15 de agosto de 2010

A notícia chegou.

Telemóvel desligado sem bateria.
Ponho a carregar. Ligo-o.
Tenho uma mensagem no correio de voz: “Olá Inês Moura, boa tarde. Daqui é da Escola de Teatro, precisamos de falar consigo com urgência. Assim que puder, contacte-nos.”
Coração a 1000. Senti o meu cérebro a bloquear e fazer “PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII”.
Ligo para lá.
Senhora da secretaria: Estou sim? É a Inês?
Eu: Estou. Sim, sim é a Inês!
Senhora da secretaria: É mesmo a Inês?
Eu: Sim sou eu.
Senhora da secretaria: Olha Inês, tu queres entrar na Escola de Teatro?
Eu: Sim…
Senhora da secretaria: Então Inês, entraste. Parabéns!
(Segundos depois)
Senhora da secretaria: Inês, ficaste sem fala?
Eu: Fiquei…
Senhora da secretaria: Mas queres mesmo entrar não queres?
Eu: Sim…
Senhora da secretaria: Ah ah ! Um rapaz desistiu… Parabéns Inês, estás na Escola da Teatro!
E mais uma vez, eu não disse nada.
Senhora da secretaria: Podes vir amanhã ou depois fazer a matrícula, Inês?
Eu: Posso sim.
Senhora da secretaria: Então vá, trás os teus documentos todos amanhã e fotografias, mais 160€. Consegues?
Eu: Aaah.. Sim, acho que sim..
Senhora da secretaria: Então pronto Inês, até amanhã.
Eu: Adeus, até amanhã. Muito obrigada. Adeus… Adeus…
A minha irmã: AHAH, EU SABIA! Estás feliz?
Eu: Não… Mais ou menos. Sei lá…
A minha irmã: Já não estavas á espera, não é?
Eu: Sim…
A minha irmã: Estás assim porque afinal já não vais ficar com a Sofia.
Eu: Pois... agora tenho que encaixar tudo de novo.
A minha irmã: Nos desafios da vida os melhores ficam sempre em cima.

E pronto, assim este dia se tornou o primeiro dia do resto da minha vida.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"Querer é poder"

Desculpem, mas já não acredito nisso.
Não dá.

Mais que aquilo que eu acreditava é impossível.

Estava tudo nas minhas mãos.

E consegui?

Não.

Portanto essa história para mim acabou.

domingo, 8 de agosto de 2010

As Princesas mantêm-se unidas sempre. Não importa os obstáculos.


Desculpa-me por tudo Sofia. Tu não merecias.
Já não sei se sei viver sem ti.
Nunca me deixes. Por favor.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

e lá se vai um bocadinho de céu

Emília diz: Tou mesmo mal por não teres entrado. Fomos para a frente com esta ideia, juntámos o nosso sonho num só e estamos juntas na mesma escola e turma há tantos anos e a vida separa-nos assim. Nunca desistas do teu talento. Eu sou a tua fã nº1 ! Ainda tenho esperança dentro de mim. Espero que alguém desista mesmo. Obrigado por tudo e por tudo o que sonhei e partilhei contigo. Amo-te muito Inês. Emily está sempre aqui, porque Emily há só uma. Eu e mais nenhuma !
Inês diz: Nao fiques triste por mim, porque eu fico bem, a sério. Ás vezes os nossos sonhos têm que ser adiados, e foi isso que me aconteceu. Com os artistas ás vezes é assim. Eu não vou deixar de acreditar, sei o meu valor. Não desisto. Porque eu vou ser actriz ! Vou continuar contigo sempre, onde quer que vás eu vou contigo e tudo o que venhas a conquistar uma parte de mim também conseguiu essa conquista. Emília hoje, Emília sempre.
Emília diz: Eu ainda acho que vais entrar ! De qualquer maneira, tens uma pessoa espectacular ao teu lado para te encaminhar e te apoiar... Que é o stor Sebastião !
Inês diz: Sim, ele toma conta de mim. Não te preocupes.
Emília diz: Ainda se vai ouvir falar do grande marque do teatro português, INÊS MOURA !

Desfiz-me em lágrimas. Não aguentei. O meu coração ainda não tinha tocado na parte em que te encontrava. Depois dos nossos 6 anos, o nosso percurso juntas acabou. O nosso sonho vai ser sonhado agora por caminhos diferentes, mas ligados de certa forma. Ainda nem acredito que o meu dia-a-dia vai ser sem ti a meu lado. Não me lembro de ter vida sem estares ali. Vou ver-te e sentir-te de outra maneira. Espero que consigas alcançar tudo o que queres. Eu acredito em ti, minha MÁRCIA.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Uma coisa tão pequenina, faz um estrago tão grande. AI RICARDO!

Os ponteiros dos relógios só andam para a frente. É pena.
Ficarás para sempre. E o resto não me interessa.

terça-feira, 27 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

Fez-se luz.

Dei por mim sentada ao colo de quem nunca esperei estar. Da minha família. Tornou-se o meu refugio. Antes quem me aconchegava eram os meus amigos, eles faziam-me esquecer as coisas menos boas. Sem notar, cheguei-me para perto da minha família por já não sentir o calor da amizade. Parece que uma casa que eu já ia há muitos anos perdeu o cheiro característico que a envolvia. Agora, entrar lá já não é igual. É isso que sinto. Ultimamente muita coisa se foi embora. E muita coisa veio. Tanta coisa passou a fazer sentido. Tudo o que aconteceu, aconteceu porque tinha que acontecer. Já não tenho perguntas a fazer, as respostas chegaram ás minhas mãos. A tristeza e desilusão que sinto têm que desaparecer. Porque depois delas vem a LUZ e delas não preciso. Por agora, ainda sinto que o meu coração levou um sopro. E uma parte sua desapareceu. A parte em que tudo era perfeito á sua maneira.
As pessoas mostraram-se diferentes daquilo que eu esperava. Os tantos amigos fugiram-me por entre os dedos. E vi que a confiança tem muito que se lhe diga. Ou nada. A única coisa que neste momento me parece segura e verdadeira é a família. E foi por isso que a vida me juntou a ela. Assim não chegarei a sentir-me sozinha, assim as coisas são mais fáceis. Não tenho exactamente o que quero por isso dedico-me a outras coisas não menos importantes. Até não sentir a falta de nada. Estou a aprender a não sentir. Tornou-se fácil pensar nas coisas que vou deixar para trás. Este Verão é uma despedida da escola normal; dos sítios onde cresci; das rotinazinhas; das contínuas e dos professores muito fofos da José Afonso; dos passeios em que a mamã fazia hambúrguers para morfar e que cantámos no autocarro; das aulas com a Sofia ao meu lado; das baguetes e dos frescos; dos meus 3 anos de aulas de TEATRO com aquele ser humano fantástico que vou levar na minha algibeira para Cascais; das saídas durante a semana; dos intervalos com o 9ºD; do Super Turmas; das festas de pijama a meio do ano; do "não me apetece estudar"; do apanhar um grande bronze atrás do pavilhão com óleo Johnson; dos dois autocarros para ir para casa e para a escola; daqueles cheiros e sabores; do SPOT; da conversa nas aulas; das roupas que ainda há pouco tempo me serviam e deixaram de servir á toa; do chegar a casa cedo; dos meus 50kg; dos ténis da berg; da minha irmã me levar á escolinha; do fazer a cama (sim, vou ficar sem tempo); da escolaridade obrigatória; do tomar o pequeno-almoçoatrás na mesa da sala; das minhas madeixas; do acordar e já ser dia; da escola enorme e dos pavilhões; do meu 7º, 8º e 9ºC. É o começo de um mundo novo, melhor e muito meu. Já me mentalizei disso.

RS -

Desapareceste.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Já não ponho título, se não adivinhas.

Ok, eu posso ser muita estúpida, mas acredito. Bolas, pá. Deixa-me. Eu amo-te. BOLAS, PÁ! E onde quer que eu vá levo-te comigo, na minha algibeira. Vais continuar no meu mundo. Achas que me esqueço da personagem que és? Seu besta. És maravilhoso. És uma parte de mim.



O que tem que ser meu ás minhas mãos virá parar.
És feio. Odeio-te.

360º

Chegou a minha vez. Eu sei que é agora. Nem toda a gente tem a mesma sorte que eu. Ou a mesma coragem e confiança. A verdade é que eu tenho e sendo assim vou seguir o meu caminho. Não quero chorar por quem fica aqui, nem quero pensar que vou ter saudades. A vida é assim, uma dia tudo muda. E estou muito feliz por chegar a minha vez de mudar. Não consigo mais esconder este fogo que me aquece e que me faz tão feliz. Não consigo mais seguir o que não me pertence. Não quero. E se tenho o caminho aberto para o meu sonho é só bater as asas. Isto é a coisa que me traz mais felicidade. É o mundo que me faz sentir longe do tudo e diferente. É a energia e a força. É o partir tudo e conhecer pessoas "anormais". Sim, porque para mim as pessoas que têm o mesmo sonho que eu não são normais. São algo mágicas e transbordam o que fazem por todo o corpo. É isso que quero fazer. Quero transbordar textos, trabalho, nervosismo, cansaço, choro, sorrisos, explosões, ensaios, professores de teatro, pessoas desconhecidas, aplausos, parabéns... Quero transbordar deste mundo que nunca mandei cá para fora e que aos poucos me foi dominando. Apartir de agora, basta querer com toda a paixão, basta confiar em mim e conseguirei seguir em frente. Nunca pensei ter esta oportunidade nas minhas mãos. Nunca pensei ver isto tão perto. O que avistava no horizonte está a meus pés. Há uns meses pensei que Hoje em dia quase ninguém conseguia o que queria, seguiam para onde o caminho lhes parecia mais vasto, não que lhes agradasse, e então pensei que comigo seria o mesmo. Teria que desistir disto e seguir por outro caminho. Mas esqueci-me que nem sequer tinha olhado á minha volta, nem tinha tirado tempo para pensar e ver que se calhar as portas para o meu caminho estavam abertas. Eu dava ouvidos a tudo á minha volta sem pensar que realmente eu poderia conseguir o que queria. Arrastava-me com as pessoas que não tinham objectivos e deixavam-se ficar até mesmo pela saudade dos amigos. Quando queremos muito uma coisa, acho que devemos investir e prosseguir. sem olhar para trás, sem medos. Não devemos adiar os nossos sonhos pelas pessoas tão importantes que neste momento temos na nossa vida. Porque elas não nos garantirão o futuro assegurado. Ninguém continua connosco para sempre. Os amigos vêm e vão. E viver é perdermos com o tempo todas pessoas que amamos. Mais cedo ou mais tarde. Os sonhos não esperam, é agora ou nunca. E agora é a minha vez. Nunca me vou esquecer que o meu sonho foi construído com vocês e descoberto também um bocadinho com a vossa ajuda.
Eu quero fazer do teatro a minha vida.

terça-feira, 4 de maio de 2010

pedrinha no sapato

Há pessoas que queremos que entrem na nossa vida e por mais esforço que façamos nunca irão entrar. E há outras que até entram sem pedir licença.
E isto acontece porque sim.

Pirilampo mágico continuas a brilhar.

Gosto de ti porque gosto de ti.
Gosto de ti assim.
Gosto mesmo ti.
Gosto de ti porque és isso.
Gosto mesmo, mesmo de ti.
Gosto de ti porque sim.
Gosto tanto de ti!
É que gosto mesmo de ti.
Gosto de ti tipo AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!

Mas já desisti.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

não sei

Será que aquilo é azul?
É que eu vejo verde.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Para sempre" até querermos- direitinho do coração para aqui.

Eles encontraram-se. O menino A e o menino B. Ainda não tinham a verdadeira noção das coisas quando isso aconteceu, mas acho que para o que se passou ao longo dos 3 anos seguintes, isso não teve importância. Porque apesar da noção que lhes faltava gostavam do que faziam e sentiam o quão doce aquilo era.
Aquela aldeia junto ao rio não era grande nem pequena. Mas o início do rio não era o início da aldeia e o fim não era decididamente o final do rio. Chegava para alguém ser feliz. E eles foram-no.
Sentavam-se de pés mergulhados no rio e as primeiras conversas eram para descoberta um do outro. Não se cansavam. Era tudo tão novo, tão por descobrir que o sentimento de eternidade era inevitável.
Passado um tempo dos primeiros dias o que era relevo na aldeia deixara de ser (o rio). E sabem o que passou para o seu lugar? O sorriso transbordante daqueles dois meninos. A felicidade. Encontraram-se um ao outro e agora “iguais” acreditavam mesmo que as suas aventuras seriam para sempre. Aventuras em que arriscavam sem medos, tinham a segurança e a companhia um do outro. Nada podia ser pior que se perderem.
O rio era demasiado largo e extenso, o que os impedia de nadarem e passarem de um lado para o outro. A corrente para sul tornava-o perigoso. Isto ansiava-os, porque era um mundo oposto ao habitual. Durante tempos aquele lugar do outro lado do rio ficava mais pequenino nos seus pensamentos, mas nunca o esqueciam.
A aldeia estava cheia de outras crianças, mas o que interessava ao menino A e ao menino B é que se tinham um ao outro. O resto não importava.
Corriam pela relva verde e nova até mergulharem e ficarem encharcados no rio. Os peixes colavam-se às suas pernas enquanto lá estavam dentro. Desapareciam na floresta, horas a fio por detrás da aldeia, pensando terem o comando do tempo na mão para o poderem parar e andar. Eram incansáveis. Adoravam-se. Pareciam UM.
Como tudo, também tinham os seus dias maus. Lembro-me bem das zangas. Eram sempre iguais. Um dos dois meninos tirava os pés frescos do rio, numas das melhores tarde do ano que até um vento quente traziam ao pôr-do-sol, punha-se de pé com decisão e fazia um ar de quem ia ficar chateado para sempre com o que tinha acontecido, mas que no dia a seguir voltava para brincar com um sorriso maior que ele próprio. Um sorriso de quem dormia com a certeza de que o menino B não o deixaria e na manhã seguinte estaria lá, como se aquela zanga não tivesse acontecido. E era verdade. Estava lá e da mesma maneira que o menino A o tinha deixado.
Brincavam todos os dias. Desde o nascer do Sol, até á Lua alta de cada noite. Sem sono e a custo cada um ia para sua casa, como se as aventuras não os desgastassem.
Inseparáveis. Foi no que se tornaram. Não existe palavra melhor.
Já vos falei do que combinaram depois da primeira aventura? Teriam dois vasos. Um para quando, sentissem que gostavam mais um do outro, colocarem uma pedra. E outro para quando se magoassem. Ao fim de um tempo, o do Sol (como lhe chamavam) estava quase cheio e o da Lua estava praticamente vazio. Chegavam a pôr cinco pedras ao mesmo tempo no vaso do Sol, mas também quando havia as zangas que vos falei, apetecia-lhes tirar de lá todas as pedras e colocá-las no vaso da Lua. Era batota, nunca o fizeram. Chegou uma altura que já tinham dois vasos do Sol. Imaginem. Não esquecendo que o da Lua estava quase cheio, mas um quase GRANDE.
Eles aproveitavam tudo o que lhes pertencia e foram verdadeiramente felizes. O mundo em que o menino A e o menino B viviam era impossível de entrar e sentir o mesmo. Tropeçaram, levantaram-se, sorriram, viveram e cresceram juntos. Tiveram tudo. O que poderiam querer mais? A perfeição? Sabiam que não existia, mas dando conta dos pormenores e muita coisa á sua volta, tudo era perfeito. Quereriam o “para sempre”? Acreditavam firmemente. Mas esse é até um dia. E foi… Ou não. Tudo é para sempre, mas não para sempre o mesmo. E as coisas mudaram. O menino A teve que ir viver para o outro lado do rio. Porque a vida é assim. A vida tem mudanças e temos que saber aceitá-las. Os meninos não se conformavam de tal coisa. Não achavam bem. A sua inocência não os permitia ter um pensamento mais alargado sobre isso, por tal, sofreram. Choraram. Aí o comando do tempo já não lhes pertencia. Aí viram que as coisas andavam para além daquilo que tinham vivido e havia muita vida pela frente.
Os vasos pararam de encher. Nenhum dos dois se aproximava do rio. O menino A de um lado e o menino B de outro. Até ao dia que no lugar do sofrimento passou existir hábito e saudade. A reaproximação do rio foi um choque. Os seus reflexos brilhantes e unidos que viam na água, estavam agora sozinhos e sem cor. Viam-se ao longe, mas mal e acenavam. Não havia maneira de voltarem a estar juntos. Respiravam fundo e até o ar parecia ter mudado. O antigo tempo dourado agora não era nada. Tinha ido com a corrente do rio. Era impossível voltarem a ser alguma coisa divididos por um obstáculo tão grande. Pensavam eles. Chegaram a fazer um concurso de pesca. Mergulhavam ao mesmo tempo e viam quem aguentava mais tempo debaixo de água. E em vez de usarem os vasos que sempre usaram para exprimir o que estavam a sentir, mandavam as pedras para o rio. Descobriram que nada tinha acabado, apenas tinha ganho uma nova vida. E podiam ser felizes com ela. Basta querer. Mesmo que um dia tenham que se separar verdadeiramente, porque não há nada na vida sem separação (física), têm a certeza que durante aqueles anos amaram e foram FELIZES.
Isto é o que somos e seremos. Meninos juntos hoje e separados depois. Um em cada lado do rio, mas nunca nos esqueceremos que um dia vivemos juntos e que um dia os nossos corações de uniram para sempre. Espero que consigam encontrar o que querem do outro lado do rio. Espero que continuem a ser felizes. Seguir sempre em frente e com muita sorte. Porque todos merecemos. Não tenham medo de fazer mudanças e não se encaixem nas dúvidas. Nunca se arrependam de nada. E não chorem, porque enferrujam.

7º,8º e 9ºC

Qual é coisa qual é ela que me magoa mas eu amo?

Tu.

terça-feira, 20 de abril de 2010

os dois

Sinceramente?

Doeu.

Mas o vento já levou esse sentimento, porque eu estou á espera.

Ainda acredito.

E juro que se no fim tu não chegares, eu não espero mais, nem olho mais para trás.

Não tenho aquilo, mas continuo a ter-te a ti.

E se te continuo a ter a ti não posso exigir mais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A minha inocência - O mar e o céu

Estou a ser constantemente enrolada por ondas tão fortes que já vejo tudo ao contrário, ou então tudo se move á minha volta menos eu. Acho que já era tempo destas ondas pararem e me deixarem ficar sentada na areia apenas a observá-las. Mas disseram-me que tenho mesmo que aproveitá-las, porque depois de as conhecer consigo atravessar e apanhar todas quantas quiser e o mar ficará o meu melhor amigo. Será mesmo verdade? Sei que cada onda me dá umas 10 voltas ao cérebro. Não sei que pensar e fico aparvalhada. Apanham-me de surpresa. Dão-me vontade de rir e de chorar. De querer ir e de querer ficar. Cada onda cada sentimento. Já a minha mãe não é assim, é diferente de mim. Ela já as conhece todas, anda mais á vontade e não fica aparvalhada. Está sempre normal, mas mais cansada. Assim já não acho graça. Eu gosto de ficar aparvalhada e o cérebro levar as 10 voltas todos os dias. Costumo engolir muitos pirolitos por ainda não saber bem quando manter a boca fechada. O lado bom é que todas as ondas são diferentes, não são todas fortes e não as atravesso sozinha. Atravesso-as com pessoas que foram arrastadas para perto de mim e já não as atravesso com pessoas que o mar me levou. Outras mostram-me que vão ficar comigo e acabam por mergulhar para longe e desaparecer. Não as percebo. Mas isso já está a tornar-se banal. Já aprendi que temos qyue ser capazes de atravessar as ondas sozinhos, as pessoas vêm e vão como elas. Não podemos esperar que alguém venha ou que alguém fique, mas pode sempre aparecer alguém de surpresa. Já reparei que algumas daquelas que não nos dão a mão para atravessarmos juntas é porque têm medo, mas no fundo não são capazes de descolar de nós. Ficam connosco, ás vezes sem darmos conta.
Já me deixei ir na corrente algumas vezes. Quero ver como é apertar outras mãos com força, confiar, fechar os olhos e mergulhar mais uma vez. No fim, vejo outros sorrisos. E com essas novas pessoas vejo que afinal ainda existem milhões tipos de ondas para eu aprender a atravessar. Nem mesmo as pessoas a quem damos as mãos á anos. Muito menos o mar que é "macaco".
Sabes o que é que eu queria mesmo? Que tenho a certeza que é muito melhor que atravessar ondas e ficar aparvalhada? Ter ASAS. É a única coisa que invej neste mundo. São os seres que têm ASAS. A liberdade desses seres, sim, nunca ninguém alcançará. De vez em quando podem visitar o mar, mas quem está no mar não pode ganhar ASAS e ir por aí.
Voar, é essa a minha sede. Uma sede que nunca vou poder matar. Mas sempre posso fingir que a matei.

Dia do Pai (não acho que mereças começar por letra maiúscula) - escrito dia 19/03/10

É incrível a capacidade que tens de me fazer chorar, sem dizeres uma única palavra. Simplesmente por estares a meu lado. E tu perguntas: Isso é bom, filha? E eu respondo: Não, Pai. E porquê? Porque eu tenho saudades tuas. Saudades dos dias, semanas, meses e anos que me pertencem a teu lado, mas que passo (quase) sem ti. Tenho saudades de te pedir colo, de me rir contigo e de cantarmos juntos. És tão barraqueiro quanto eu. Mas sabes o que descobri? Que este Pai por quem em tanto espero e por quem eu choro, por achar que a vida passa e estou sem ele, já não existe. O Pai barrqueiro. O bom músico. O Pai FELIZ. O Pai que tinha amigos que já não se contavam pelos dedos das mãos. Esse Pai despareceu. Há muito tempo.
Hoje quando estive contigo, não tive vontade de te dar beijinhos e abraços, nem de te dizer o quanto te amo. Eu olhava-te e os meus olhos enchiam-se de lágrimas. Porque por fora vejo o Pai que já não conheço. Estás a deixar a vida passar por ti e as tuas filhas também. Não tens amigos, Pai. Diz-me há quanto tempo não cantas nem tocas com gosto? Consegues descreve-me a imensidão de saudades que sentes dos tempos em que eras FELIZ? O Pai que era o contrário do que és agora está tão pequenino que já nem sequer o vejo. Não sei se ainda te dás ao trabalho de lembrá-lo. Se não, devias dar-te. Fazia-te bem.
Tornaste-te um triste. Não existem melhores palavras. Até te esqueceste que para veres uma flor crescer precisas de regá-la todos os dias um bocadinho.
Amo-te Pai
P.S.- Mais uma coisa: estás velho, mas devias saber que nunca é tarde para se ser FELIZ. Também te esqueceste disso. Já não me conheces. Estás a perder-me, disso eu sei que tens consiência. Uma dia vais precisar de mim e ter saudades e aí eu já não as tenho.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ferida

Eu sei que tenho que controlar isto. Ás vezes descontrolo-me, sem querer. É mais forte que eu, mas não pode ser. Eu sei que há problemas piores do que o meu. E não quero estar a lamentar-me. Porque não vale a pena. Eu sou boa actriz, mas quando me tocam na ferida (que tu fizeste), esquece. Não consigo representar essa parte. Não consigo lembrar-te com um sorrisão enorme pelos bons momentos que me deste. Eu talvez saiba o porquê. Porque nós sabemos que tu não és feliz, que tens saudades minhas e que querias voltar a atrás e apagar tudo. Como não pode ser, choras, mas por dentro, para ninguém te ver. Quando a máscara cair eu vou abraçar-te. É isso que está por trás dos nossos momentos. É isso que não esqueço. É o saber que não estás bem, mas também não mudas as coisas. Saber o que tu fizeste, e por te amar, olhar para ti sem pensar nisso. Mesmo quando a Mãe me faz questão de lembrar de tudo, quase me gritar aos ouvidos a revolta que sente, EU AGUENTO, até me apetecer e acaba-se tudo com um “CALA-TE, pára!”. A ferida arde, porra. E eu tenho saudades tuas. Saudades de uma coisa que não me lembro. Saudades que por mais tempo que eu esteja contigo não irão passar. Naquele Verão que estiveste comigo, voltaste, mesmo sabendo que estavas ali eu continuava a chorar.
Eu gostava de chegar um dia a casa, e tu estares sentado no sofá a comer amendoins, a papar os filmes todos sem te importares com o jantar. Eu cumprimentava-te e contava-te o meu dia. Na mesa era mais um prato, mais um sorriso, uma família. Para muita gente isto é uma coisa sem importância e completamente normal. Para mim seria tudo. Porque já não interessa quem acompanha todos os dias, quem põe o comer no prato, quem atura as birrinhas por todos os lados. Só interessa que nos comprem roupa, um telemóvel novo, uns ténis, paguem sempre a Internet e carreguem o telemóvel. Têm tudo, mas já nada tem interesse. Porque é tudo muito habitual. Apetece-me apertar o pescoço das pessoas assim e torcer até mudarem de atitude. Dizem que não são felizes e estão cheias de problemas. Isto já mete nojo. Não venham falar comigo sobre mesquinhices. Não se vejam lamentar do que TÊM E NÃO APROVEITAM. O simples gesto de chegar a casa e ouvir a voz do PAI, era a minha maior felicidade. Mas mesmo assim, eu não consigo dizer que não sou feliz. Porque aproveito tudo o que me dão e agradeço imenso. Eu tenho tudo. Só não te tenho a ti.

Mãe: Gostavas de ter o pai aqui?
Eu: Sim. (fiz um sorriso tão grande até ficar com borboletas na barriga)
Mãe: Era a tua maior felicidade, eu sei que era.


E chorámos as duas, porque a minha ferida é a da Mãe. Ela percebe tudo.


Amo-te PAI. Não me mintas, diz-me que não voltas.