segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Para a minha mãe que se foi esquecendo dela própria ao longo da vida.

Já fizeste alguma coisa para ti hoje? (Responde) E ontem? (Responde) E anteontem? (Responde) Já tiraste um dia para fazer coisas só para ti? (Responde) Já pensaste que também mereces? (Responde) Primeiro que tudo o que dás aos outros, tu mereces tanto ou mais que isso. Maior parte das coisas que fazes são a pensar em ti? (Responde) Eu vejo isso passar por mim, ou melhor, a chegar á minha mãe. Ela diz “Hoje as minhas meninas não jantam em casa, não vou fazer jantar só para mim, isso tem algum jeito?!”, olha eu acho que tem. Tirares um tempo para ti, não é bom? (Sim, é para responderes) Fazeres um jantar que só tu gostas. Preparares tudo a preceito. Deliciares-te. Ouvires a tua música, descontraíres e pensares no teu bem-estar. Há alguém que faça mais por ti do que tu mesma? NÃO! (esta respondi eu, porque tenho a certeza da resposta) Ninguém pode fazer nada por ti. Porque é que passas a vida a fazer tudo por todos? Será em algum sentido para agradar, ou para ver os outros felizes. Mas ás vezes, todos os outros estão bem (muitas vezes nós também contribuímos para essa felicidade) e nós estamos de rastos (ou quase, ou mais ou menos assim assim). Porque os outros depois de realizados esquecem-se um bocadinho de nós, e nós esquecemo-nos de nós próprios. Porque é que quando queremos ir a algum sítio que gostamos imenso convidamos alguém? (Não respondas) E se esse alguém diz que não, não vamos? Sim, é bom partilhar um bom sítio com alguém e aí viver bons momentos, mas também bom irmos sozinhos. Imaginemos ir passear ao pé do mar, eu iria sozinha. Molhava os pés. Comia um gelado. Deitava-me na areia e ficava ali comigo. Isto no Verão, claro. Esquecia os outros. Parava de pensar que tinha que ir embora para falar com esta ou com aquela. Parava de pensar que estar ali sozinha sem fazer nada era perder tempo. Ou porque tinha que fazer isto ou aquilo. Tantas pessoas que com os anos que passam vão vivendo para os outros, para as paixões e para os amigos. Esquecem-se de si mesmos. E não morrem felizes. Tenho a certeza que não. Porque se desgastam e em parte não são realizadas. Muitas vezes, onde quer que estejamos exigem demasiado de nós e ficamos a achar que temos que dar sempre muito.
No Natal, em vez de pedir prendas, vou a uma loja e compro uma para mim. A empregada pergunta “É para oferta?”, e eu digo “É para mim, mas pode embrulhar.”


E que tal ires comprar umas pipocas, alugares uma comédia e veres sozinha no teu sofá? Não penses que por ser só para ti não faz sentido. Porque também mereces.

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