Entrei pela porta da tua casa adentro. Estavam todos a jantar, menos tu. E era a ti que eu procurava. Depois de tudo o que aconteceu eu tinha que ir atrás de ti. Eu não conseguia esquecer todos os momentos que passámos assim tão facilmente. Não é por quereres que acontece. Eu nem dirigi palavra aos teus pais. Esqueci o respeito, a boa educação e tudo o resto e procurei-te pela casa. Não estavas. Saí pela porta das traseiras para ver se te encontrava no pontão de madeira a fazer o habitual. Já era tarde, estava escuro, mas consegui ver lá ao fundo o candeeiro aceso e então corri ao encontro da luz. Estava deserta de cair no conforto de um abraço teu e saber que estavas ali e não tinhas ido embora como me afirmas-te antes de desapareceres. O candeeiro estava aceso, os teus livros estavam lá, as folhas, as fotografias, o lápis, a borracha, os desenhos, um casaco… Estavam ali muitas partes tuas, mas sinal de ti não havia. Num sopro dado pelo vento senti o teu perfume. E cada vez mais aquilo me parecia uma despedida. Já a chorar, sentei-me, tirei os sapatos e fiquei com os pés mergulhados na água para ver se refrescava os pensamentos. Tencionava ficar ali á tua espera o tempo que fosse preciso, porque sabia que se voltasses ias ao encontro do que representava as tuas conquistas para ficares melhor. Começou a ficar frio e pus o teu casaco por cima dos meus ombros. Levei a minha mão ao bolso e encontrei a tua moeda da sorte. Aí vi que não podias ter ido longe nem embora para sempre e fiquei aliviada. Eras incapaz de abandonar aquela moeda. Levei a minha mão ao outro bolso e estava um balão vazio. Enchi e tinha escrito “A moeda fica contigo, desejo-te toda a sorte do mundo. Lança este balão ao rio, ele tem um caminho a seguir. Tal como tu. Com amor, Duarte”. Lancei o balão e tirei os pés da água. Peguei em tudo o que era teu e fui-me embora. Entrei na tua casa e estavam todos sentados no sofá a ver televisão. Disse boa noite e pedi desculpa. “Adeus Inês...”- responderam-me. Eles já sabiam de tudo. Entrei no carro e fiz-me á estrada.

Próxima etapa: comprar um coração novo. Porque este…? Caiu numa poça, ficou enlameado e pisado, já não vale nada.

Sem comentários:
Enviar um comentário
é o quê? fala beeemm