quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ferida

Eu sei que tenho que controlar isto. Ás vezes descontrolo-me, sem querer. É mais forte que eu, mas não pode ser. Eu sei que há problemas piores do que o meu. E não quero estar a lamentar-me. Porque não vale a pena. Eu sou boa actriz, mas quando me tocam na ferida (que tu fizeste), esquece. Não consigo representar essa parte. Não consigo lembrar-te com um sorrisão enorme pelos bons momentos que me deste. Eu talvez saiba o porquê. Porque nós sabemos que tu não és feliz, que tens saudades minhas e que querias voltar a atrás e apagar tudo. Como não pode ser, choras, mas por dentro, para ninguém te ver. Quando a máscara cair eu vou abraçar-te. É isso que está por trás dos nossos momentos. É isso que não esqueço. É o saber que não estás bem, mas também não mudas as coisas. Saber o que tu fizeste, e por te amar, olhar para ti sem pensar nisso. Mesmo quando a Mãe me faz questão de lembrar de tudo, quase me gritar aos ouvidos a revolta que sente, EU AGUENTO, até me apetecer e acaba-se tudo com um “CALA-TE, pára!”. A ferida arde, porra. E eu tenho saudades tuas. Saudades de uma coisa que não me lembro. Saudades que por mais tempo que eu esteja contigo não irão passar. Naquele Verão que estiveste comigo, voltaste, mesmo sabendo que estavas ali eu continuava a chorar.
Eu gostava de chegar um dia a casa, e tu estares sentado no sofá a comer amendoins, a papar os filmes todos sem te importares com o jantar. Eu cumprimentava-te e contava-te o meu dia. Na mesa era mais um prato, mais um sorriso, uma família. Para muita gente isto é uma coisa sem importância e completamente normal. Para mim seria tudo. Porque já não interessa quem acompanha todos os dias, quem põe o comer no prato, quem atura as birrinhas por todos os lados. Só interessa que nos comprem roupa, um telemóvel novo, uns ténis, paguem sempre a Internet e carreguem o telemóvel. Têm tudo, mas já nada tem interesse. Porque é tudo muito habitual. Apetece-me apertar o pescoço das pessoas assim e torcer até mudarem de atitude. Dizem que não são felizes e estão cheias de problemas. Isto já mete nojo. Não venham falar comigo sobre mesquinhices. Não se vejam lamentar do que TÊM E NÃO APROVEITAM. O simples gesto de chegar a casa e ouvir a voz do PAI, era a minha maior felicidade. Mas mesmo assim, eu não consigo dizer que não sou feliz. Porque aproveito tudo o que me dão e agradeço imenso. Eu tenho tudo. Só não te tenho a ti.

Mãe: Gostavas de ter o pai aqui?
Eu: Sim. (fiz um sorriso tão grande até ficar com borboletas na barriga)
Mãe: Era a tua maior felicidade, eu sei que era.


E chorámos as duas, porque a minha ferida é a da Mãe. Ela percebe tudo.


Amo-te PAI. Não me mintas, diz-me que não voltas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Eu sabia que precisava de ti (?) - voltei

Já sinto. Sinto tudo! Não precisei de nenhuma das pessoas que estão sempre comigo. Precisei de mim e de alguém que nunca esteve presente. Deu-me a mão e de um minuto para o outro eu já estava aqui. Com tudo o que sempre me pertenceu.

"Nota-se que já estás bem!", disseram-me.

Podera, digo-vos já que a Lua não é um lugar nada estável para se estar. Prefiro aqui. Pelo menos posso viver. E tenho direito a tudo. Lá? Lá só observo.

Não foste tu que me levas-te para a Lua, Jess. E também não foste tu que me trouxes-te de lá.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

e agora?

Eu senti-te, tão perto, tão comigo e já te foste embora.
Numa hora olhei para o canto da sala e lá estavas tu, agora olho outra vez e desapareceste.
Mas o lugar está lá, eu sei que voltas.

"Ai, olha ! O tempo está a passar. O tempo passa tão depressa, OLHA! EU ESTOU A FALAR CONTIGO E O TEMPO ESTÁ A PASSAR! AH!" - e já passou.


Não foste tu que me puseste na Lua, nem foste tu que me tiraste. Continuo á espera.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Não pode ter sido cancelado, porque eu mando.


É hoje. Daqui a horas já pisas terra PORTUGUESA! Já estás a uns poucos km de mim. Já posso ver-te e tocar-te.

Estou á tua espera JESS .

Estou desconfiada que alguém me levou para a Lua.

Tenho andado sem paciência para as coisas. Apetece-me ouvir música, fechar os olhos e manter-me assim, sozinha, a senti-la. Não quero mais nada. Na verdade, até quero. Quero tudo, mas não tenho, por isso sou feliz com outras coisas. Mas tenho andado tão vazia. Parece que sinto tudo e não sinto nada. Vou para onde me levam. Falo bem com todos. Sinceramente? Não me lembro de quase nada desta semana. O stress todo por causa da Jess, a escola (já a bombardear trabalhos), está a dar cabo de mim. Estou baralhada e sempre cheia de sono. Pelos menos nos meus sonhos as coisas são um bocadinho melhores, e sempre posso fazer o impossível. Acho que estando como estou, se tivesse inimigos era capaz de fazer as pazes com todos. Como se nunca se tivesse passado nada. Sabem o que é que consigo sentir? O frio. Há uma parte de mim que está ligada, outra não. Parece-me que foi o coração que se desligou. A cabeça parece um escritório de um homem de negócios, com papéis atilhados até não sei onde. Tudo desorganizado. E esse homem, nem se dá ao trabalho de os organizar. Não tenho fome nenhuma, não vejo televisão, não falo com todas as pessoas que costumava falar. Não me apetece fazer o que a minha mãe me pede. Não me apetece despir o casaco. Não me apetece conversar. Não me apetece rir com a minha irmã um bocadinho sempre antes de dormir. Nem teatro me apetece. No último ensaio tive o tempo todo a rir. Mas faço isso tudo, sem reclamar e sem dizer que não.

Estou a precisar de ti aqui, Jess. Porque não consigo sentir mais nada.

Áh, acho que já sei... O FRIO CONGELOU-ME O CORAÇÃO.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A tempestade levou-te para longe, será que voltas?

Já estou desmotivada. O teu voo está dado como CANCELADO pelos nevões. LOGO AGORA! PORQUÊ? Eu estou a precisar de ti e tu de nós. Tenho tudo preparado para te receber e ter aqui comigo. Estou tão feliz que até acho que sorrio por nós as duas, todos os dias. Eu espero que a tempestade te traga.
É AMANHÃ QUE (em princípio) VOLTAS

- eu vou orar, como tenho feito.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mais uns degraus e consigo abraçar-te.

Parece que foi ainda ontem que tinha no nick "59 dias".

Já são
2 DIAS, 2!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A COR dos dias

(Tinha andado a pensar nisto á semanas e senti que até mesmo para mim, valia a pena escrever.)

Já tinham os planos feitos. Desgastados pelo cansaço rotineiro do trabalho, agora podiam sorrir, como suspiro de tranquilidade. Iam passar umas semanas a Itália. Estavam profundamente a precisar de um ar diferente, de pessoas diferentes, de cheiros e vistas diferentes. Ele ia poder tirar fotografias lindas e novas, como tanto adorava. E essencialmente precisavam de acordar o seu amor. Precisavam de encontrar-se. Ambos sabiam que o seu amor estava vivo, e bem vivo, mas adormecido. Agora tudo ia ser diferente e para muito melhor.
Um dia antes de comprarem os bilhetes, ele desapareceu. Como o mar ás vezes é capaz de engolir pessoas, assim, sem deixar rasto. Ele já devia ter perto de 100 chamadas não atendidas no telemóvel. E ela? Ela permanecia naquela revolta. Sem saber o que fazer, o que pensar. Não sabia se ele tinha fugido com outra, ou se tinha tido algum acidente. Aquela espera que se tornou hábito na segunda semana, já quase sem esperança, abria-lhe uma ferida cada vez maior. Com a raiva que sentia, voltava-se contra as coisas e chegou a partir coisas de valor para os dois. Já não lhe faziam sentido. Chorava. Chegou até mesmo a emagrecer. Já tinha tentado tudo para o encontrar, mas até a mãe dele estava incontactável. Sentia-se tão vazia.
Em Lisboa. Ele estava em Lisboa. E essa foi a última ideia que lhe ocorreu, levou-a avante - ia a Lisboa. Era onde morava a mãe dele e era o último e único sítio possível para ele estar. Ficou um mês sem dar sinal de vida.
- Filho, a Sofia está lá fora. O que é que faço?
- A Sofia? Tenho tantas saudades dela, mãe. Eu vou lá para dentro. Podes abrir.
- Porque é que demorou tanto tempo a abrir a porta? Está a esconder-me alguma coisa? É? O seu filho está aqui, não está? Eu sei que sim. Não precisa de me mentir. Quero vê-lo e quero que me explique o porquê de tudo isto!
A mãe dele continuava calma, via os olhos de Sofia cheios de raiva e fez o que tinha que ser feito. Em silêncio, entregou-lhe uma carta escrita por ela, que o filho lhe ditou. Pegou-a furiosamente e sentou-se a lê-la:
“Imagino como te sentes neste momento Sofia. Por isso não vou estar a lembrar-te da asneira que fiz, ainda presente. Quero explicar-te o porquê. Quero que leias isto até ao fim.
Os meus dias perderam a cor. Os caminhos já habituais, tornaram-se desconhecidos. Cada passo que dou parece contribuir para a aproximação de um precipício. Tenho medo. Muito medo. Sinto-me desencaixado de um puzzle. Parece impossível, mas sou aquela peça que não se encaixa em nada. É tudo tão calmo, mas ao mesmo tempo tão confuso e barulhento. Estamos na Primavera, está tudo tão bonito e eu não consigo ver. Bato contra as coisas, magoo-me. O que mais me custa é que me tornei depende. Depende das pessoas e deste MUNDO! Estou a aprender tudo de novo. Como uma criança a aprender a andar. A nossa árvore que via crescer com amor, foi cortada pela raiz. Não te consigo explicar o quanto isto é difícil. Nem eu consigo acreditar como tenho conseguido certas coisas. Estou no começo e estou tão farto. Sinto-me vazio e sem valor. De que me vale ir viajar contigo agora? De que me vale construir um futuro? De que me vale seguir atrás do meu sonho da fotografia? Tenho que desistir de tudo. Porque tudo deixou de fazer sentido. Até mesmo o estar contigo. Eu já não te mereço. QUAL É A MULHER QUE SE INTERESSA A FICAR COM UM CEGO? POR PENA? Não quero que fiques comigo assim. Prefiro que vás embora sem me dar oportunidade de sentir o teu perfume. Porque isso é a única coisa que me resta.
Amo-te imenso Sofia. Desculpa-me, desculpa-me por tudo.
Foi o melhor, não quero que sofras por isto.”
O silêncio e as suas lágrimas inundaram a sala. Tudo tinha mudado. Ele não resistiu em entrar e foi ao encontro do seu perfume. Ela levantou-se e deu-lhe um abraço. Ficaram assim como se a eternidade lhes pertence-se. E ele sentia-a agora, mais que nunca. Encontraram o que era verdadeiro. O que realmente importava.
- Sofia, eu fui ao médico e disseram-me que estava a ficar cego. Não havia volta a dar. Não queria assustar-te…
- Shhhh! Sentis-te o abraço?
- Senti.
- É isto que vale a pena. Sentir.
Ele passou-lhe as mãos do rosto como se estivesse a descobrir cada traço e cada coisa que lhe pertencia. Ela esboçou um sorriso choroso e ele conseguiu perceber.
- Estás a chorar. Não quero que chores.
- O teu mundo não perdeu a cor, ganhou uma nova vida. E nessa nova vida irás continuar comigo. Eu quero ficar contigo para sempre.
Beijaram-se.
Voltaram para o Porto. E aprenderam tudo de novo, juntos.



Imagina isto contigo. Fecha os olhos por um momento e diz-me o que sentirias se não os pudesses abrir mais. Achas que as pessoas que te acompanham continuariam contigo?

Agora sobe essas escadas de quase um km, o:

Não escrevi o 4º dia, esqueci-me. Estava demasiado excitada e passei o dia todo a falar com a Jéssica. Ao falarmos parece que tudo vai acontecer amanhã. E é bom.

3 DIAS

sábado, 2 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O vento já me trouxe o teu cheiro.

6 DIAS


(ainda não encaixei bem que entrámos no ano dos "10")

Surpresa* 2009/2010


Vamos andar com a cassete para trás, pode ser?

Bia- Inês, vais passar o ano novo onde?
Inês- Em casa. Porquê? Há outra saída?
Bia- Há! Queres passar comigo?
Inês- SIIIMMM! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Bia- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Acredita que há muito tempo que não me sentia assim. Foi isso que mais gostei. Sentir-me em família. Não estava com a minha, mas ali, era como se estivesse com uma nova. Estava longe do meu mundo. Aquele tempo todo antes da meia-noite, tu Bia, fizeste-me esquecer que não podia ter tudo o que mais queria. A tua irmã adora-me (passa o tempo a dizer que sou linda e cheiro bem -.-) e a tua mãe tratava-me como se já vos pertence-se de nascença. Se não, foi o que me transmitiu. Rimos, Comemos, brincámos ás escondidas (fiquei com um galo por causa disso, bati com a cabeça na gaveta das cuecas da tua mãe, é o que dá esconder a pares), cantámos, dançámos, e eu sozinha brinquei a "esconder a piuga da Margarida". Cantei singstar com o nosso professor de ciências fisicas e químicas do 7º ano, foi muito querido (foi uma das surpresas da noite, passar o ano com ele). Foi tudo isto que me fez esquecer o que não queria lembrar, mas não por muito tempo. Era quase meia-noite, e o meu sorriso começou a sumir. Apesar de o esboçar para todos, já não gargalhava. Sorriso amarelo, sabes? Fomos para a varanda. Eu odeio passas, então resolvi pedir os meus desejos com amendoins. Escrevemos os desejos num papel e estavamos mais ansiosas para os pedir do que para passar o ano. Encostei-me á varanda. Meia-noite. Comecei a pedir os desejos. Os foguetes em Lisboa, Cascais, Barreiro, Almada e mais não sei onde, dispararam. As pessoas das janelas ao lado mandavam balões e confetis. Todos vocês gritaram e saltaram (a Margarida ficou 10 minutos a gritar, não sei como não morreu ali ._.). Eu pedi os primeiros 8 desejos. Já tinha a boca tão cheia de amendoins ainda por mastigar que pus mais dois na boca e disse "QUERO TUDOO!", os outros foram fora (só mais dois, porque é que não os comi?). Enquanto vocês ficaram aos gritos, a rir e a pular, eu parei. O momento que eu não queria chegou. A saudade de todos os que não posso juntar voltou. De um momento para o outro senti-me sozinha. E tentei não chorar. Consegui. A alegria da tua irmã impediu-me (os gritos, vá), confesso. Pus-me a fingir que estava a ver os foguetes. Na verdade não vi nada. Senti-me muito longe. De maneira a que só Ele me ouvisse, disse "Obrigado por tudo!". Eu já te tinha dito para, se me visses assim, não dizeres nada. Deste-me um beijinho na cara. Quando consegui voltar a vocês e esquecer aquela saudade, gritei também.

Foi uma grande noite. Obrigado também Bia. Não passei na praia. Nem na neve. Nem com todos. Nem sozinha. Passei contigo e com a tua família.

Sofia, eu na varanda olhei para o céu para ver se te via, mas ontem não haviam estrelas.