Eu sei que tenho que controlar isto. Ás vezes descontrolo-me, sem querer. É mais forte que eu, mas não pode ser. Eu sei que há problemas piores do que o meu. E não quero estar a lamentar-me. Porque não vale a pena. Eu sou boa actriz, mas quando me tocam na ferida (que tu fizeste), esquece. Não consigo representar essa parte. Não consigo lembrar-te com um sorrisão enorme pelos bons momentos que me deste. Eu talvez saiba o porquê. Porque nós sabemos que tu não és feliz, que tens saudades minhas e que querias voltar a atrás e apagar tudo. Como não pode ser, choras, mas por dentro, para ninguém te ver. Quando a máscara cair eu vou abraçar-te. É isso que está por trás dos nossos momentos. É isso que não esqueço. É o saber que não estás bem, mas também não mudas as coisas. Saber o que tu fizeste, e por te amar, olhar para ti sem pensar nisso. Mesmo quando a Mãe me faz questão de lembrar de tudo, quase me gritar aos ouvidos a revolta que sente, EU AGUENTO, até me apetecer e acaba-se tudo com um “CALA-TE, pára!”. A ferida arde, porra. E eu tenho saudades tuas. Saudades de uma coisa que não me lembro. Saudades que por mais tempo que eu esteja contigo não irão passar. Naquele Verão que estiveste comigo, voltaste, mesmo sabendo que estavas ali eu continuava a chorar.
Eu gostava de chegar um dia a casa, e tu estares sentado no sofá a comer amendoins, a papar os filmes todos sem te importares com o jantar. Eu cumprimentava-te e contava-te o meu dia. Na mesa era mais um prato, mais um sorriso, uma família. Para muita gente isto é uma coisa sem importância e completamente normal. Para mim seria tudo. Porque já não interessa quem acompanha todos os dias, quem põe o comer no prato, quem atura as birrinhas por todos os lados. Só interessa que nos comprem roupa, um telemóvel novo, uns ténis, paguem sempre a Internet e carreguem o telemóvel. Têm tudo, mas já nada tem interesse. Porque é tudo muito habitual. Apetece-me apertar o pescoço das pessoas assim e torcer até mudarem de atitude. Dizem que não são felizes e estão cheias de problemas. Isto já mete nojo. Não venham falar comigo sobre mesquinhices. Não se vejam lamentar do que TÊM E NÃO APROVEITAM. O simples gesto de chegar a casa e ouvir a voz do PAI, era a minha maior felicidade. Mas mesmo assim, eu não consigo dizer que não sou feliz. Porque aproveito tudo o que me dão e agradeço imenso. Eu tenho tudo. Só não te tenho a ti.
Mãe: Gostavas de ter o pai aqui?
Eu: Sim. (fiz um sorriso tão grande até ficar com borboletas na barriga)
Mãe: Era a tua maior felicidade, eu sei que era.
E chorámos as duas, porque a minha ferida é a da Mãe. Ela percebe tudo.
Amo-te PAI. Não me mintas, diz-me que não voltas.
Eu gostava de chegar um dia a casa, e tu estares sentado no sofá a comer amendoins, a papar os filmes todos sem te importares com o jantar. Eu cumprimentava-te e contava-te o meu dia. Na mesa era mais um prato, mais um sorriso, uma família. Para muita gente isto é uma coisa sem importância e completamente normal. Para mim seria tudo. Porque já não interessa quem acompanha todos os dias, quem põe o comer no prato, quem atura as birrinhas por todos os lados. Só interessa que nos comprem roupa, um telemóvel novo, uns ténis, paguem sempre a Internet e carreguem o telemóvel. Têm tudo, mas já nada tem interesse. Porque é tudo muito habitual. Apetece-me apertar o pescoço das pessoas assim e torcer até mudarem de atitude. Dizem que não são felizes e estão cheias de problemas. Isto já mete nojo. Não venham falar comigo sobre mesquinhices. Não se vejam lamentar do que TÊM E NÃO APROVEITAM. O simples gesto de chegar a casa e ouvir a voz do PAI, era a minha maior felicidade. Mas mesmo assim, eu não consigo dizer que não sou feliz. Porque aproveito tudo o que me dão e agradeço imenso. Eu tenho tudo. Só não te tenho a ti.
Mãe: Gostavas de ter o pai aqui?
Eu: Sim. (fiz um sorriso tão grande até ficar com borboletas na barriga)
Mãe: Era a tua maior felicidade, eu sei que era.
E chorámos as duas, porque a minha ferida é a da Mãe. Ela percebe tudo.
Amo-te PAI. Não me mintas, diz-me que não voltas.



