Como é fácil exprimir o que sinto
Quando não oiço vozes.
Mas se tento falar com alguém
Sinto medo da rejeição.
Por isso, neste pedaço de papel,
Conto ao meu amigo solene
Cada pequeno pormenor
Cada pecado terrível.
Há palavras cheias de alegria
Que aquecem o coração mais frio.
Outras que gritam de raiva
Como se fossem setas envenenadas.
Não preciso de sermões.
Basta-me escravinhar
Para a vida ficar mais leve.
Do papel não saem juízos
Nem palavras gastas.
Quando acabo de escrever
Não me olha de soslaio.
O papel limita-se a ouvir-me
E a registar os meus pensamentos.
Com ele volto a ser o que já fui
E posso fingir ser aquilo que nunca
serei.

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