quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PORRA RUI, PORRA!

Nunca pensei que um PASTEL DE NATA me desse tanta volta ao estômago. Já me irritei, outra vez. Isto faz-me mal. Não sabes? Pára, estúpido.
Pus-me a pensar melhor no que aconteceu dia 28 e cheguei a esta conclusão: PARA QUE É QUE ME PEDIS-TE UM BEIJO? DIZ-ME! PARA QUÊ? Eu sou tão tua amiga. Sei de quem gostas. Dizes-me que precisas de mim para te ajudar a conquistar a rapariga. Já falei com ela! Já me disses-te que sou das tuas melhores amigas (mas isto não quer dizer nada). PARA QUÊ, RUI? Não percebo. A sério. Será porque querias ver o que fazia? Será porque tinhas a certeza que não avançava? A verdade é que avancei. E já quase a tocar nos teus lábios recuei. "NÃO!", foi o que disse. Foi o mais correcto, sem dúvida. Mas também te disse "Os amigos não dão beijos na boca." e tu disses-te "DÃO SIM!", já de trombas. Estavas a gozar comigo? MAS E SE EU NÃO RECUASSE? Eu digo-te que as coisas não ficavam iguais. Porque a minha cabeça começava a trabalhar a turbo e enchia-se de porcaria e queria que esclarecesses as coisas. Mas tu? Tu achavas graça e mantinhas tudo, como se nada fosse. Porque tu és assim. Porque sabes que eu sinto qualquer coisinha. Queres experimentar-me. E eu digo-te, se não soubesse da rapariga, eu beijava-te. Ai beijava, beijava! És tão, tão, tão sei lá o quê. Fizeste-me dizer que gostava de ti. Com esta porcaria. Mais uma vez. Merecias uma chapadona! Mas olha, já me estou a rir. Foste porco. Na verdade eu não quero que pares. Porque eu gosto de ti assim. PORQUÊ? AI !! Isto ficou-me a remoer e tu se for preciso já nem te lembras.
Como o André diz - "Somos adolescentes, Inês!"

Estás a vir?

8 DIAS

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

BORA !

Hoje, aqui e agora começo a minha contagem decrescente para a Jess voltar:

10 DIAS

Pipocas a fazer, ou feitas e queimadas? | Mushy&

Matei saudades, sim matei. Estava cheia delas (saudades?) e agora estou aos pulinhos por dentro. Foi bom, foi muito bom. Ele é TÃÃÃOOO especial, meu deus (oqei, estou a derreter, já chega)! Posso contar-vos um segredo? Juram que não espalham por ninguém? Ele pediu-me um beijo no cinema. Mas estava a gozar, eu sei que estava a gozar. Eu não dei. Adorava que ele não estivesse a gozar.
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PARABÉÉÉNNSSS ANDRÉ ! Felicidades e coise, festas. Adoro-te imenso. (não tenho jeito para estas coisas T_T)

domingo, 27 de dezembro de 2009

AAIIIII (achei que as coisas acerca dele estavam encerradaas)!

Amanhã vou estar com o meu pastel de nata. Ele quer sentar-se ao meu lado no cinema. Vai ser bom (sabes o que este bom significa?).



[Inês, cala-te. Aquilo vai ser o aniversário do André! Mas ele sabe que vou porque o adoro muito.]

As minhas 12 badaladas.

Quero passar o ano contigo. Com elas e com eles também. Quero passar o ano com vocês. Quero ir para a praia e quando derem as 12 badaladas mergulho vestida no mar. Será a minha primeira e fantástica sensação de 2010. Assim fico já de cabeça fresca para um bom ano. Mas para mudar as coisas encho-me de areia, rio, rebolo e mergulho outra vez. E vocês estão sempre comigo. Abraçamo-nos encharcados e a chorar de tanto rir. Depois vem a chuva juntar-se á festa. Até que acabamos por adormecer mesmo na areia e no outro dia começamos juntos um novo ano.
Se não for na praia pode ser na neve. Agasalhados e gelados. Mandamos neve uns aos outros até as mãos, de tão geladas, não aguentarem mais. Corremos, rebolamos e caímos. Deixamos a marca do nosso corpo na neve, fazendo um anjo. E só conseguimos sentir algum calor quando nus juntarmos todos para um abraço. Abrimos uma garrafa de champanhe e fazemos o nosso próprio fogo de artifício.
Agora mudando a temperatura, em casa também não era mau pensado. Mas na mesma com vocês. Preparamos tudo ao nosso gosto, enchemos uma mesa de comer e bebidas. Acendemos a lareira, cantamos, dançamos e recordamos momentos de riso do ano já quase passado. Á meia-noite, depois de já comidas as passas (sinceramente odeio passas e depois de as comer meto-me na casa de banho) e pedidos os 12 desejos saltamos das cadeiras. A garrafas de champanhe disparam. Brindamos. Eu dou-te a mão e vemos o fogo de artifício da varanda. Digo-te ao ouvido o quando és importante e beijo-te (na bochecha :c). Sorrio-te e tu percebes o sorriso. Continuamos a festa, aquele foi o nosso momento. Viriam muitos mais.
Não posso. Não posso passar o ano com vocês. Nem com a minha família. Essa eu não quero mesmo, porque estão todos separados. Por isso quero passar o ano sozinha. Quero ir para um sítio onde ninguém me encontre. Mesmo que chova a noite toda, eu estarei bem. Estou comigo. Revivo tudo o que passei em 2009, choro até, se me der vontade. De alegria e tristeza. Quando achar que sim, volto para casa. Mais!, se tivesse idade ia para outro país. Passaria o ano com pessoas que nunca vi na minha vida e faria coisas que nunca fiz. Aproveitava tudo.
Também não posso passar sozinha, por isso, deito-me no meu sofá, agradeço a Deus o ano maravilhoso que me deu e durmo. No dia seguinte estarei sozinha, mas com a certeza de que todos vocês estão comigo. Mais um ano!

(eu ando sem inspiração, por isso não escrevo nada de jeito, mas escrevo)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

o nosso Natal

Obrigado Mãe. Obrigado por fazeres esse ESFORÇO enorme para me dar um Natal feliz. Mostras-me que não precisamos de ter uma mesa cheia, não precisamos de presentes, nem de ter a família toda reunida. Nós as três, com pouca coisa e MUITO amor temos um Natal muito, muito FELIZ!
Não temos tudo o que tínhamos, mas o estarmos juntas vale mais que tudo o que já passámos.

domingo, 20 de dezembro de 2009

puff

ONTEM:

- Amo-te muito, és a razão do meu viver.

- Estarei sempre ao teu lado para tudo.

- Conta comigo para estar ao teu lado o resto da vida.

- ÉS TUDO.

- Só tu me fazes feliz.

- ÉS A MINHA VIDA .

- Não sei viver sem ti.

- Eu e tu para sempre (LL)


(…)



HOJE:

- Acabou tudo.

- Então, mas chatearam-se ou assim?

- Acabou porque teve que acabar. Ou melhor, desapareceu.

- E estás bem?


- É bom ter os olhos abertos, não é?


- É. Mas porquê? Que pergunta mais parva.

- Então, eu abri-os. Finalmente. Agora estou bem melhor.

- Então não percebo tudo o que dizias! Vocês pareciam tão...não sei, inseparáveis. Pareciam ter uma coisa tão perfeita. Pareciam ter construído uma coisa tão segura e vossa.

-PUFFF! Um dia perceberás porquê. Esquece, porque eu também esqueci.

Leite Ucal

Hoje faltam 18 dias para voltares. Estou farta. FARTA! Farta de fazer contagens decrescentes para voltares e ires embora de novo. Farta de te ver diminuir ao pé dessas pessoas que chamam família. Pessoas malucas e doentes, que não sabem viver nem te deixam ser feliz. Acredita que se eu pudesse vinhas viver comigo. Porque comigo tinha a certeza que serias feliz. Tinhas uma vida. Tinhas pessoas que te amavam e davam valor. E podias esquecer todo o medo de um dia ter de partir outra vez. Porque ficarias comigo, e para sempre. Não sei como tens aguentado essa vida. Admiro-te. Tens-te mantido firme, com imensa força. Não sei onde a vais buscar, mas que a tens, tens. Talvez ela venha um bocadinho de nós. Sei que tens a certeza que estamos contigo todos os dias da tua vida. A distância que nus separa fisicamente, não é nem metade do tamanho da nossa amizade. E é isso que te faz continuar a sorrir. "Eu acho que a minha mãe quer voltar. Pela conversa dela...", a tua esperança sempre no auge faz-te aguentar mais um dia, e outro, e outro. Se parte de nós passasse o que tu passas não piava tão alto. Ás vezes gostava de me pôr no teu lugar. Este ano queria passar o Natal contigo. Queria ter-te AQUI. Porque para mim o dia de Natal já não é um dia muito feliz. Traz-me más recordações. Tenho a certeza que se estivesses comigo esqueceria isso. Não precisávamos de prendas na árvore, nem de montes comida sobre a mesa. Ficávamos em frente á lareira, juntas, e entre risos e parvoíces passávamos a noite. Mas não é possível. Porque tens que estar AÍ, a fazer o que não gostas. Com pessoas que te atormentam a cabeça todos os dias. Quase te obrigam a mostrar boa cara. É tão injusto o que fazem contigo. Eu já te disse, quando tiveres idade, FOGE. Livra-te disso e faz a tua vida. Porque eu acredito que podes vir a ser alguém. Alguém maior que essas pessoas todas. Alguém MUITO feliz. E irás mostrar-lhes que consegues mais que aquilo que elas pensam. És melhor que elas todas juntas. Prometo-te que ficarei contigo até quando a vida permitir. Estarei sempre aqui para te receber e a porta da minha casa estará sempre aberta. Nada muda. Por mais tempo que passe, sempre que te vir, vou pular para o teu colo. Dar-te o maior abraço do mundo. Gritar para dizer ao mundo inteiro que estou contigo de novo. Sempre que voltares vais deixar-me uma camisola tua, até chegar ao dia que ficas com o guarda-roupa vazio. Vou olhar-te nos olhos e dar-te os beijinhos que odeias. Dizer que estás diferente (fisicamente). Estás mais homem. Vais dormir na minha casa e levar com a minha mãe o tempo todo a falar em peidos e cagalhões (sim, a minha mãe não é normal). Hoje estou farta disto tudo, mas amanhã estarei aliviada. Porque esta história tem um final feliz. Se tu tens esperado sempre, porque é que eu não hei-de saber esperar? Eu espero. Vou ter calma, até me dizeres "A MINHA MÃE QUER VOLTAR PARA PORTUGAL."


Depois de 2 dias contigo em Janeiro, vou preparar-me para te dizer adeus (de novo). Até não sei quando.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

cabeça vs coração

Sintomas:
-ansiedade para falar com ele;
-sonhar com ele todos os dias;
-borboletas na barriga (ui, esta
dói);
-ter ciúmes de tudo (este é o pior);
-ter medo que ele se farte;
-querer estar perto dele;
-sentir a falta dele se ficarmos um dia ou dois sem contactar;
-falar dele a toda a hora;
-querer beijá-lo;
-imaginá-lo comigo;
-inevitavelmente "derreter-me" com ele.

Primeira observação (cabeça):
Confirma-se, ama-lo.

Minha conclusão:
MENTIRA! Não vou deixar que a minha cabeça me engane mais. Não quero mais ouvi-la. Estou farta de me confundir. Baralha os meus sentimentos, porque lhe dá na gana e não deixa o coração falar. Atropela-o! Fala por cima e o que quer. Emaranha-me e faz-me sentir sei lá como. Fico sem me perceber as coisas. Fico sem saber o que é realmente gostar. Amo-o? Um dia saberei o que isso realmente é. Um dia. Agora tenho a certeza que não. Apesar de já me ter confundido muitas vezes e tudo dar sinal que sim, eu sei que é não. Não estou a enganar-me. E sim, estou seriamente em desacordo com o texto "revoltei-me com o pastel de nata". Estou revoltada é comigo, que dou razão as parvoíces que oiço de mim mesma. Amar não é só isso. Amar é muita coisa. Amar é tudo.

Segunda observação (coração):
Confirma-se, já tem a cabeça no sítio, deixa-me "falar" e apenas sente uma atracção. Nada de grave.

Minha conclusão:
Eu sabia. Mas vou continuar a caminhar ao lado dele. Porque preciso dele e ele já faz parte de mim. Podem dizer o que quiserem, eu gosto dele como é. Ele é especial, sempre foi. Já esteve comigo quando NINGUÉM (ninguém é mesmo ninguém) esteve. Agradeço muito. Não vou ouvir mais a minha cabeça, NÃO !

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Estrela

No Verão, quase todas as noites ia para a minha varanda. Ouvia o mundo. Sentia o calor, fechando os olhos. Pensava. E o que perdia mais tempo a fazer era olhar para as estrelas. Agora, que é Inverno, não me atrevo a ir lá para fora. Com este frio? Congelava, como o Jack do Titanic (que exageraaaada). Apesar de amar este cheiro a Natal, fico só do lado de dentro da janela. Não oiço o mundo. Sinto o quentinho do aquecedor. Penso. E olho para as estrelas. Sim, é melhor olhar para elas sem ter a cara colada num vidro, mas mesmo assim não deixam de ser lindas. Continuam com o mesmo brilho de sempre, parecem até sorrir-nos. Sabes quais são, não sabes? Aquelas que ás vezes até pensamos que são mais que uma estrela, pedimos desejo e sentimos que não estamos sozinhas. É tão bom observá-las. Normalmente tomo atenção á mais brilhante de todas, que me dá a sensação de piscar cada vez que a olho. Até mesmo quando a observo com os olhos cheios de lágrimas, porque algo não está bem, ela pisca-me. Tenho vontade de a ter junto de mim, de a tocar, de senti-la e ver o seu brilho sem fim de perto. Mas na verdade, ela está comigo. Sempre. Sempre que eu queira posso estar um bocadinho com ela. Sei que ela não sai dali. Aconteça o que acontecer. Ali, ela vai sempre estar. Se eu falar, sei que ela me ouve. Sei que ela piscará de novo. E eu vou estar sempre ali para ela e com ela. Mesmo longe, eu não preciso senti-la perto para saber que a tenho comigo. Quando ela deixar de brilhar eu darlhe-ei tudo o que poder para a ver brilhar de novo. Porque é inexplicável a forma como me sinto bem com ela. É incrível como ela muda tudo apenas por piscar. Não é maluquice minha, ELA PISCA. Eu sei que pisca! Eu sei que ela está ali comigo.
TU és assim. TU és a minha estrela.
Amo-te Sofia *
Obrigado por brilhares e piscares para mim.
Se ainda não reparaste em nenhuma estrela, ainda vais a tempo. Observa com atenção, eu também vou piscar para ti.

Este frio congela-me e não me deixa pensar em ti. Isso é bom.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

título? não precisa

Mais um dia de escola. Mais matéria, testes e frio a dar com um pau. Mais um dia cansativo e banal. Pensava eu. Até o ver, ali, pela primeira vez. Na minha escola. ELE ESTAVA ALI ! O Rui. Agora podia ficar junto dele o tempo que quisesse. Eu pulava por dentro, e a minha cabeça parecia ter milho a explodir para fazer pipocas. Estava tão feliz. E de repente o frio que me percorria desapareceu. Fiquei quente, e foi isso que fez o milho explodir.
Cheguei-me perto dele, estava com os meus amigos, mas sem mostrar que as pipocas (na minha cabeça) já estavam feitas, manti-me calada, a olhá-lo. Ele também olhava para mim calado.
Era hora de entrar, e num abrir e fechar de olhos todos tinham desaparecido. Eu estava sozinha com ele. A Sofia voltou para trás e como quem quer dizer "vocês merecem ficar juntos", juntou a mão dele á minha. Ele sem hesitar, puxou-me e levou-me para uma sala. Foi aí que percebi que estava tudo combinado. Não consegui perceber nada. Não percebia porque é que estava ali. Se era bom ou mau. Mas naquele momento só me interessava sentir que ele estava comigo. A mão dele entrelaçada na minha. Ele ficou parado, a olhar para a janela. Eu continuava sem perceber o que era suposto fazer ou dizer, então fiz o que o meu coração me mandou. Beijei-o. Ele ficou surpreso, mas retribuiu, retribuiu, e retribuiu. Senti que era o que ambos queriamos. Entregámo-nos um ao outro. Esquecemos tudo o resto. Nesta altura acho que as pipocas já estavam queimadas. Senti a respiração, o calor e o perfume dele. Beijei-o como nunca beijei ninguém. Até que ele quis parar. Fomos embora. Passámos o dia afastados. Eu continuei sem perceber o que tinha acontecido. Mas aconteceu, e eu estava muito orgulhosa de mim. Ele fez daquele dia, um dia inesquecível. Não voltámos a falar. Nem tivemos mais juntos.
Senti um enorme arrepio por todo o corpo, levantei-me e vesti o robe. Aí apercebi-me que tinha sido um sonho. UM SONHO?! Não é possível, não é. Não acredito.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pai Natal?

Eu sempre acreditei tanto naquela magia e presentemente quando olho de relance é banal. É um simples homem velho (ou não), vestido de pai natal, a fazer “OH OH OH!”, sentado numa cadeira a fazer sorrisinhos forçados e a tirar fotografias.
Hoje consegui observá-lo como o observava com 4, 5 ou 6 anos. Recuei um bocadinho. Não era apenas eu, todos nós pensávamos nisto e foi isto que me lembrei:
ERA O PAI NATAL! O velhote mais fofinho que já vi que vivia num mundo encantado que todos desconhecíamos (mas sabíamos tal e qual como ele era). Cheio de magia, onde todos eram felizes, onde não existia pobreza nem maldade, onde todas as crianças tinham direito ao que é devido. Um mundo com uma fábrica enorme, cheia de duendes a trabalhar a 100 á hora para todas as crianças terem os brinquedos pedidos.
Fora desse mundo estávamos nós acreditando que era o Pai Natal que nus dava as prendas, vindo num trenó com uma data de renas (uma delas chamada Rodolfo com o nariz vermelho) pelo céu, á noite. Alguns de nós deixavam até bolachinhas e um copinho de leite, caso ele tivesse fome (verdadeiramente, nisso nunca apostei, porque sempre o achei demasiado gordo e isso iria fazê-lo ficar ainda mais). Era tudo tão bom e tão real. Tão mágico e diferente do que costumávamos ver. Fazia-nos tão felizes aquele tempinho que perdíamos a escrever a carta com uma lista ENORMISSIMA (nem todas assim com esse exagero) de presentes, sem nos importarmos. Porque Pai Natal que era Pai Natal tinha que trazer tudo! Mesmo sem ainda termos os presentes, era maravilhoso escrever. Porque tínhamos a verdadeira esperança de que iriam vir parar á árvore na noite mais mágica. A ansiedade, o nervosismo, quase inexplicável. A explosão de felicidade, esquecendo tudo o resto.
Ele estava ali, ao pé de mim. Apeteceu-me ser criança outra vez, correr para ele e pedir-lhe tudo. Abraçá-lo e memorizar-lhe a cara para mais tarde contar a toda a gente que o vira. Mas nisto, via outras crianças a fazê-lo no meu lugar. Umas passavam de mãos dadas com a mãe, com tanta pressa que nem tinham tempo de observá-lo com jeito. Outras deixavam a mãe andar para a frente, corriam para ele, pediam colo, davam-lhe beijinhos e abraços, mexiam na barba e fixavam-no com imensa ternura. Como se fosse alguém de família que não vissem há muito.
Aquele Pai Natal realmente era diferente. Eu tinha a sensação já o ter visto em algum lugar. A barba era verdadeira, a barriga também. Distribuia sorrisos a quem quer que fosse, fazendo “OH OH OH!”. Mas um “OH OH OH!” mesmo á filme! Super simpático. Encantador. Senti tanta saudade.
Depois disto a minha mãe chegou, e reparou em mim a observá-lo. Ele dirigiu-se a nós e eu pensei que ele vinha com aqueles “OH OH OH!” e desejar um feliz Natal. Mas não. Ele estava só um bocadinho cansado de estar ali e desabafou. Perdeu toda a magia, mostrou a realidade e tornou-se numa pessoa vulgar. Começou a falar sobre a sua vida. É actor, já trabalhou na SIC e em filmes. A minha mãe disse-lhe que o conhecia da fonte da telha (vejam bem isto, depois de eu viajar no tempo com o homem, onde a conversa já ia). Ele afirmou que tinha sido polícia marítimo e que andou muitas vezes á porrada (acabei por me mijar a rir). Mas a minha mãe afinal não o conhecia só daí, já lhe tinha cortado a barba e o cabelo quando tinha o salão de cabeleireiros. Ele recordou-se. No fim acabou por dizer a agência de actores onde tinha crescido e a minha mãe (CLARO, mas era mesmo OBVIO que ela ia referir isto) pediu-lhe o número para ir lá comigo, porque eu adoro teatro, tenho jeito e canto muito bem (como é obvio também deixei fugir um sorriso nervoso e feliz ao mesmo tempo). Deu-me de imediato uma pequena força, dizendo que tinha um bom perfil e parecia-lhe ter futuro. Mostrou ser um homem de aventuras, que podia ficar ali a noite inteira a contá-las sem se cansar. Falando com a mesma garra com que as viveu.
Até que ele continuou o seu trabalho, tinha montes de crianças á espera para a fotografia com o velhote mais fofinho do mundo. Estavam muito felizes, tal como eu e tu um dia já estivemos por isso.
De um momento para o outro perdeu a realidade que nós lhe vestimos e cresceu uma outra pessoa.
Sinceramente? Não, não acredito no Pai Natal. Mas nunca deixei de acreditar que os meus peluches falam quando me vou embora.
Adorei aquele Pai Natal. Senhor Cipriano, Cipriano!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

o meu amigo solene

Como é fácil exprimir o que sinto
Quando não oiço vozes.
Mas se tento falar com alguém
Sinto medo da rejeição.
Por isso, neste pedaço de papel,
Conto ao meu amigo solene
Cada pequeno pormenor
Cada pecado terrível.
Há palavras cheias de alegria
Que aquecem o coração mais frio.
Outras que gritam de raiva
Como se fossem setas envenenadas.
Não preciso de sermões.
Basta-me escravinhar
Para a vida ficar mais leve.
Do papel não saem juízos
Nem palavras gastas.
Quando acabo de escrever
Não me olha de soslaio.
O papel limita-se a ouvir-me
E a registar os meus pensamentos.
Com ele volto a ser o que já fui
E posso fingir ser aquilo que nunca
serei.

Pastel de nata, a tua amizade agora é o melhor que podes dar-me.



Por favor não me deixes.