A lua está quase cheia, está brutal, não há estrelas no céu. Hoje estão cá em baixo, estão a brilhar aqui mesmo ao meu lado. EU SINTO-AS. Descobri tudo isto há horas atrás quando dei conta que este foi um dos melhores dias da minha vida. O melhor dia de 2011. – Não queria escrever um texto grande, mas eu quero que fique escrito, portanto terá que ser. Podes parar. Não te obrigo a ler o resto. Eu simplesmente tinha que escrever e tou-me a cagar se lêem ou não. – Eu não estou a exagerar, foi um ganda dia para mim. As coisas começaram ontem á noite dia 19/01, quando vi o facebook da Jani. IIIIHHHH, bateu tanto. As fotografias dela são emocionantes, contagiantes e algumas carregadinhas de saudade. Foi nessas que desatei a chorar. Entrei nelas. Vi as de agora que ela é uma cara conhecida e as de antes, em que era como eu. Ela cresceu imenso, ganhou imensa experiência e agora está lançada para o futuro e pronta para brilhar e brilha. E eu comecei a pensar na minha vida. No que me pertence e onde estou. E onde poderei estar um dia. Chorei imenso e compulsivamente. Parecia que cada vez que reparava que tinha uma coisa maravilhosa na minha vida caía tudo. E cada vez que me lembrava do que já fui também.
Hoje quando cheguei á escola, nem conseguia olhar para a Jani… Desatava a chorar. Ridículo. Abracei-a e soube-me tão bem. Eu estava a sentir uma sensação estranha, senti todo o dia. Estava em altas, estava a imaginar que existiam unicórnios. Estava bué feliz e nem sabia porquê. E ainda não sei. Quer dizer, eu acho que me encontrei na escola, finalmente. Apetecia-me ter as pessoas todas ali comigo, juntinhas e brutais. Tipo a festa do Avante!.
No final do dia, na aula de voz, rebentei! No sentido positivo, claro. Deu-se o CLICK. Fizemos laboratório, – que é fazermos o nos apetecer á frente de todos os colegas, tipo: cantar, dançar, falar, representar, dizer poesia… isso. – e eu amei. Tudo o que lá se passou foi com coração e com sentido. Foi o que cada um de nós achou que conseguia dar naquela altura. E entregaram-se e foi óptimo. Fizeram todos coisas tão diferentes. As lágrimas não paravam de me correr pela cara abaixo e eu já estava cheia de ranho e até me estava a meter impressão eu chorar tanto. E depois a Márcia ainda veio com aquela conversa “Vocês lembram-se do vosso 9º ano?...”, eu lembrei-me de tudo. Foi um turbilhão de coisas que me vieram á cabeça e fizeram-me perceber onde é que estou agora. Estou lá. Estou na Escola Profissional de Teatro de Cascais. Isso já ninguém me tira. Conquistei o lugar. É meu. Tenho que dar o melhor de mim todos os minutos. Ali não se desperdiça nem um. E é uma oportunidade que tenho que viver. Nunca mais vou repetir estes anos. Nunca.
Foi das melhores sensações da minha vida, estar sentada naquela sala, a ouvir a Márcia falar com um foco de luz por cima sem conseguir ver o público, e eu encostada á Jani e ela a limpar-me as lágrimas, a dar-me beijinhos, a mexer-me no cabelo… e para ficar completo (o cenário) apareceu a minha Inês Frias e mostrou que estava ali comigo também. Eu lembro-me que ao início, quando eu chorava nas aulas de Carlos Avilez pelas saudades do que fui e do que tive, ninguém vinha ter comigo. Eu chorava sozinha, no meu canto. E ia engolindo as saudades uma a uma com o tempo, para ver se desapareciam. Não desapareceram, mas agora tenho quem as guarde comigo e isso é amazing.
Obrigada por tudo. Somos enormes.

escreveste o meu nome com maiúsculas no início. ninguém faz isso, só o facebook. caralho, como eu te gosto.
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