segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sorriso

Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas podres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúscula) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.
Mas eu falava de gente, de nós, que fazemos aprendizagem do sorriso e dos sorrisos ao longo da vida própria e das alheias.
A tudo isto é que eu chamo sabedoria.
Dir-me-ão que não cabe tanto no sorriso. Eu digo que cabe. Soube-o a noite passada, quando foi ele a única resposta para a insónia e para os monstros do pesadelo nascido no sono onde o corpo acabou por deslizar, cansado e aflito. Sorrir assim, mesmo sem olhos que nos recebam, é o verbo mais transitivo de todas as gramáticas. Pessoal e rigorosamente transmissível. O ponto está em haver quem o conjugue.

José Saramago

Apeteceu-me.

Como é claro, nós crescemos. E como é claro, estas coisas acontecem.
Aprendi, que a imperfeição de cada coisa faz a coisa perfeita. Aprendi que os amigos vão e vem. Aprendi, que não nus devemos rebaixar por ninguém. Aprendi, que uma pessoa não é tudo para nós. Aprendi, que não podemos depender da amizade de ninguém, não podemos contar com aquela pessoa sempre e para sempre. Aprendi, que cada coisa dura o tempo necessário para ser inesquecível. Aprendi, que não é apenas um melhor amigo, que nus dá os melhores conselhos. Aprendi, que podemos transformar muitas lágrimas em sorrisos. Aprendi, que não devemos voltar com coisas do passado, mas apenas aprender com elas. Aprendi, que os amigos são a família que a vida nus permite escolher. Aprendi, que nus devemos achar sempre fortes, porque assim é mais fácil acreditar e continuar. Aprendi, que podemos fazer muita coisa por alguém, e ficamos felizes mesmo sem receber um obrigado. Aprendi que devemos ser sempre sinceros connosco próprios. Aprendi que não devemos mentir (magoar para nus proteger). Aprendi, a partilhar o que é meu. Aprendi, que as acções ficam para quem as faz, e se achamos que uma certa acção não foi boa para connosco, não devemos retribuir na mesma moeda, mas sim mostrar que somos melhores. Aprendi, que um simples gesto pode mudar muita coisa. Aprendi, que antes de tudo estamos nós próprios. Aprendi, que não podemos afirmar o “para sempre”, apenas acreditar. Aprendi, a virar as costas ao que não interessa. Aprendi, que há feitios difíceis, mas podemos ser mais fortes que eles. Aprendi, que sem humildade não vamos a lado nenhum. Aprendi, que não devemos pôr ninguém no topo da nossa vida, porque ninguém nus põe a nós e quando pomos deixa de haver respeito. Aprendi, que um gesto vale muito. Aprendi, que podemos dar fortes gargalhadas, mesmo quando temos um problema. Aprendi, que os pensamentos negativos, não nus levam a lado nenhum. Aprendi, que uma melhor amiga é uma irmã. Aprendi, que ninguém faz mais por nós que nós próprios. Aprendi a encarar medos. Aprendi, que quem ama perdoa sempre, pode não ser amanhã nem um dia destes, mas perdoa. Aprendi, que temos de sorrir com sinceridade nem que seja só por simpatia. Aprendi, que não devemos entregarmo-nos por inteiro a ninguém. Aprendi, que para termos o que queremos basta fazer um esforço. Aprendi, que o sermos felizes depende de nós próprios. Aprendi, que os ciúmes podem-se tornar maus para as duas pessoas (na amizade, e não só). Aprendi, que por falta de comunicação podem surgir problemas. Aprendi, que não devemos complicar o que não é complicado. Devemos levar tudo da maneira mais simples, mesmo quando nus parece impossível. Aprendi, que só devemos pedir desculpa, quando for mesmo necessário e a outra pessoa merecer. Aprendi, que para construir a confiança demoramos anos, e para destruí-la segundos. Aprendi, que a verdadeira cumplicidade tem-se com poucas pessoas. Aprendi que nunca nus devemos arrepender de nada. Aprendi a guardar verdadeiramente um segredo. Aprendi, que em pouco tempo uma amizade pode tornar-se muito, mas mesmo muito forte. Aprendi, que não devemos julgar ninguém pela aparência. Aprendi que a mentira dói a valer. Aprendi que amigos, há muito poucos. Aprendi que não é preciso ter muitos para estarmos completos. Aprendi que não podemos ficar de olhos postos no futuro, porque é demasiado inseguro. Aprendi que quando há amigos, não tem que haver medo. Aprendi que o sorriso de alguém pode mudar-nos o dia. Aprendi que um dia tudo muda. Aprendi que preciso mais das pessoas, que elas de mim. Aprendi que não temos que mudar os amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Aprendi que o caminho mais fácil, nem sempre é o melhor. Aprendi que quando temos razão, não nos devemos calar. Aprendi que nada acontece ao acaso. Tudo tem uma razão. Aprendi que lá por um melhor amigo ter o direito de saber (quase) tudo, não significa que tenha de nus controlar. Aprendi que por mais que digamos que não sabemos viver sem aquela pessoa, um dia quando a perdemos, continuamos. Aprendi que o mundo não pára por estarmos tristes. Aprendi, que ao longo da vida temos direito a cometer os erros que quisermos, e não quisermos. Ninguém nus tem que impedir, porque com eles aprendemos sempre mais alguma coisa. Aprendi que é fácil falar.


P.S -Cada frase daquelas, tem um sentimento. Se te cansaste a ler não sei, que tive orgulho em escrever, tive.

Para a minha mãe que se foi esquecendo dela própria ao longo da vida.

Já fizeste alguma coisa para ti hoje? (Responde) E ontem? (Responde) E anteontem? (Responde) Já tiraste um dia para fazer coisas só para ti? (Responde) Já pensaste que também mereces? (Responde) Primeiro que tudo o que dás aos outros, tu mereces tanto ou mais que isso. Maior parte das coisas que fazes são a pensar em ti? (Responde) Eu vejo isso passar por mim, ou melhor, a chegar á minha mãe. Ela diz “Hoje as minhas meninas não jantam em casa, não vou fazer jantar só para mim, isso tem algum jeito?!”, olha eu acho que tem. Tirares um tempo para ti, não é bom? (Sim, é para responderes) Fazeres um jantar que só tu gostas. Preparares tudo a preceito. Deliciares-te. Ouvires a tua música, descontraíres e pensares no teu bem-estar. Há alguém que faça mais por ti do que tu mesma? NÃO! (esta respondi eu, porque tenho a certeza da resposta) Ninguém pode fazer nada por ti. Porque é que passas a vida a fazer tudo por todos? Será em algum sentido para agradar, ou para ver os outros felizes. Mas ás vezes, todos os outros estão bem (muitas vezes nós também contribuímos para essa felicidade) e nós estamos de rastos (ou quase, ou mais ou menos assim assim). Porque os outros depois de realizados esquecem-se um bocadinho de nós, e nós esquecemo-nos de nós próprios. Porque é que quando queremos ir a algum sítio que gostamos imenso convidamos alguém? (Não respondas) E se esse alguém diz que não, não vamos? Sim, é bom partilhar um bom sítio com alguém e aí viver bons momentos, mas também bom irmos sozinhos. Imaginemos ir passear ao pé do mar, eu iria sozinha. Molhava os pés. Comia um gelado. Deitava-me na areia e ficava ali comigo. Isto no Verão, claro. Esquecia os outros. Parava de pensar que tinha que ir embora para falar com esta ou com aquela. Parava de pensar que estar ali sozinha sem fazer nada era perder tempo. Ou porque tinha que fazer isto ou aquilo. Tantas pessoas que com os anos que passam vão vivendo para os outros, para as paixões e para os amigos. Esquecem-se de si mesmos. E não morrem felizes. Tenho a certeza que não. Porque se desgastam e em parte não são realizadas. Muitas vezes, onde quer que estejamos exigem demasiado de nós e ficamos a achar que temos que dar sempre muito.
No Natal, em vez de pedir prendas, vou a uma loja e compro uma para mim. A empregada pergunta “É para oferta?”, e eu digo “É para mim, mas pode embrulhar.”


E que tal ires comprar umas pipocas, alugares uma comédia e veres sozinha no teu sofá? Não penses que por ser só para ti não faz sentido. Porque também mereces.

balões

Não gosto de dizer isto, nem gosto que isto aconteça, mas... Está tudo nas minhas mãos.





Sofia diz: "Então vê lá se as fechas bem e apertas com força."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sujei-me toda.

Mãe, eu também tenho dúvidas, - ainda mais na minha idade, que elas me invadem como se fosse tudo delas e pudessem ficar - de vez em quando elas surgem e eu tenho o direito de as analizar. Mesmo que aches que só atrapalham. Até podem servir para reforçar as minhas certezas.

Nem me deixaste acabar de falar. Afincaste-me com a certeza que tinha que permanecer certa pelas minhas trombas e eu engoli-a bem escaldada. A verdade é que me tiraste a dúvida.

Engoli o choro. Senti que se ele se soltasse ia enferrujar mais uma parte minha. E eu não queria. Adormeci por estar revoltada de não me teres deixado exprimir a rebaldaria que estava na minha cabeça.

Obrigada. Obrigada pelas trombas que me fizeste carregar o dia inteiro, obrigada por teres gritado e dito "não desistes de nada sem que primeiro vejas". Valeu a pena. Porque agora, agora estou com um sorriso na cara.

domingo, 15 de agosto de 2010

A notícia chegou.

Telemóvel desligado sem bateria.
Ponho a carregar. Ligo-o.
Tenho uma mensagem no correio de voz: “Olá Inês Moura, boa tarde. Daqui é da Escola de Teatro, precisamos de falar consigo com urgência. Assim que puder, contacte-nos.”
Coração a 1000. Senti o meu cérebro a bloquear e fazer “PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII”.
Ligo para lá.
Senhora da secretaria: Estou sim? É a Inês?
Eu: Estou. Sim, sim é a Inês!
Senhora da secretaria: É mesmo a Inês?
Eu: Sim sou eu.
Senhora da secretaria: Olha Inês, tu queres entrar na Escola de Teatro?
Eu: Sim…
Senhora da secretaria: Então Inês, entraste. Parabéns!
(Segundos depois)
Senhora da secretaria: Inês, ficaste sem fala?
Eu: Fiquei…
Senhora da secretaria: Mas queres mesmo entrar não queres?
Eu: Sim…
Senhora da secretaria: Ah ah ! Um rapaz desistiu… Parabéns Inês, estás na Escola da Teatro!
E mais uma vez, eu não disse nada.
Senhora da secretaria: Podes vir amanhã ou depois fazer a matrícula, Inês?
Eu: Posso sim.
Senhora da secretaria: Então vá, trás os teus documentos todos amanhã e fotografias, mais 160€. Consegues?
Eu: Aaah.. Sim, acho que sim..
Senhora da secretaria: Então pronto Inês, até amanhã.
Eu: Adeus, até amanhã. Muito obrigada. Adeus… Adeus…
A minha irmã: AHAH, EU SABIA! Estás feliz?
Eu: Não… Mais ou menos. Sei lá…
A minha irmã: Já não estavas á espera, não é?
Eu: Sim…
A minha irmã: Estás assim porque afinal já não vais ficar com a Sofia.
Eu: Pois... agora tenho que encaixar tudo de novo.
A minha irmã: Nos desafios da vida os melhores ficam sempre em cima.

E pronto, assim este dia se tornou o primeiro dia do resto da minha vida.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"Querer é poder"

Desculpem, mas já não acredito nisso.
Não dá.

Mais que aquilo que eu acreditava é impossível.

Estava tudo nas minhas mãos.

E consegui?

Não.

Portanto essa história para mim acabou.

domingo, 8 de agosto de 2010

As Princesas mantêm-se unidas sempre. Não importa os obstáculos.


Desculpa-me por tudo Sofia. Tu não merecias.
Já não sei se sei viver sem ti.
Nunca me deixes. Por favor.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

e lá se vai um bocadinho de céu

Emília diz: Tou mesmo mal por não teres entrado. Fomos para a frente com esta ideia, juntámos o nosso sonho num só e estamos juntas na mesma escola e turma há tantos anos e a vida separa-nos assim. Nunca desistas do teu talento. Eu sou a tua fã nº1 ! Ainda tenho esperança dentro de mim. Espero que alguém desista mesmo. Obrigado por tudo e por tudo o que sonhei e partilhei contigo. Amo-te muito Inês. Emily está sempre aqui, porque Emily há só uma. Eu e mais nenhuma !
Inês diz: Nao fiques triste por mim, porque eu fico bem, a sério. Ás vezes os nossos sonhos têm que ser adiados, e foi isso que me aconteceu. Com os artistas ás vezes é assim. Eu não vou deixar de acreditar, sei o meu valor. Não desisto. Porque eu vou ser actriz ! Vou continuar contigo sempre, onde quer que vás eu vou contigo e tudo o que venhas a conquistar uma parte de mim também conseguiu essa conquista. Emília hoje, Emília sempre.
Emília diz: Eu ainda acho que vais entrar ! De qualquer maneira, tens uma pessoa espectacular ao teu lado para te encaminhar e te apoiar... Que é o stor Sebastião !
Inês diz: Sim, ele toma conta de mim. Não te preocupes.
Emília diz: Ainda se vai ouvir falar do grande marque do teatro português, INÊS MOURA !

Desfiz-me em lágrimas. Não aguentei. O meu coração ainda não tinha tocado na parte em que te encontrava. Depois dos nossos 6 anos, o nosso percurso juntas acabou. O nosso sonho vai ser sonhado agora por caminhos diferentes, mas ligados de certa forma. Ainda nem acredito que o meu dia-a-dia vai ser sem ti a meu lado. Não me lembro de ter vida sem estares ali. Vou ver-te e sentir-te de outra maneira. Espero que consigas alcançar tudo o que queres. Eu acredito em ti, minha MÁRCIA.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010