segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia do Pai (não acho que mereças começar por letra maiúscula) - escrito dia 19/03/10

É incrível a capacidade que tens de me fazer chorar, sem dizeres uma única palavra. Simplesmente por estares a meu lado. E tu perguntas: Isso é bom, filha? E eu respondo: Não, Pai. E porquê? Porque eu tenho saudades tuas. Saudades dos dias, semanas, meses e anos que me pertencem a teu lado, mas que passo (quase) sem ti. Tenho saudades de te pedir colo, de me rir contigo e de cantarmos juntos. És tão barraqueiro quanto eu. Mas sabes o que descobri? Que este Pai por quem em tanto espero e por quem eu choro, por achar que a vida passa e estou sem ele, já não existe. O Pai barrqueiro. O bom músico. O Pai FELIZ. O Pai que tinha amigos que já não se contavam pelos dedos das mãos. Esse Pai despareceu. Há muito tempo.
Hoje quando estive contigo, não tive vontade de te dar beijinhos e abraços, nem de te dizer o quanto te amo. Eu olhava-te e os meus olhos enchiam-se de lágrimas. Porque por fora vejo o Pai que já não conheço. Estás a deixar a vida passar por ti e as tuas filhas também. Não tens amigos, Pai. Diz-me há quanto tempo não cantas nem tocas com gosto? Consegues descreve-me a imensidão de saudades que sentes dos tempos em que eras FELIZ? O Pai que era o contrário do que és agora está tão pequenino que já nem sequer o vejo. Não sei se ainda te dás ao trabalho de lembrá-lo. Se não, devias dar-te. Fazia-te bem.
Tornaste-te um triste. Não existem melhores palavras. Até te esqueceste que para veres uma flor crescer precisas de regá-la todos os dias um bocadinho.
Amo-te Pai
P.S.- Mais uma coisa: estás velho, mas devias saber que nunca é tarde para se ser FELIZ. Também te esqueceste disso. Já não me conheces. Estás a perder-me, disso eu sei que tens consiência. Uma dia vais precisar de mim e ter saudades e aí eu já não as tenho.

1 comentário:

é o quê? fala beeemm