Ao bom cozinheiro que tu és:
Abriste-me as portas do teu restaurante, sem quase olhar o tipo de cliente que eu era. Ou então fizeste-o sem eu perceber. Tens uma entrada convidativa. Sentei-me e já calculava mais ou menos o que trazia o menu, tinham falado imenso de ti e sentia que já te conhecia de ginjeira. Estava ansiosa por ver o que eras mesmo capaz de fazer naquela cozinha. Escolheste por mim. E não esperei muito até ter a comida pronta e quente á minha frente no prato. Pareceu-me ser apenas uma entrada, disseste que não te tinha dado muito trabalho que era simples, mas de chorar por mais. Só me lembro da primeira garfada e depois o prato vazio. Estava verdadeiramente sublime. Queria chamar-te para te dar os parabéns, mas já sei como és. Um elogio eleva-te demasiado. Penso que viste na minha cara que achei aquela entrada divinal. Ficaste a observar-me o tempo inteiro. Interessava-te que eu gostasse, não que fosse importante para ti.
Na tua cozinha só tu tens lugar. Acho que poucas ou quase nenhumas foram as pessoas que lá entraram. Parece que esconde um segredo enorme. Bem, afinal de contas é lá que se passa tudo. É esse sítio que faz o teu negócio crescer. Uns dizem que os teus menus são sempre os mesmos e estão fartos de lá ir. Outros não se cansam dos mesmos sabores porque te amam enquanto cozinheiro e sabem que sabes variar a ementa. Tens um jeito tão teu. Nunca vi nada assim. Pareces não precisar da ajuda de ninguém. Achas que sozinho chegas a tudo o que quiseres. E até é um bocadinho verdade. Tens cabeça suficiente para segurar tudo. Isso já eu vi mais que bem. Não deixas que nada falhe para o teu lado, porque se correr mal para alguém não te importa. Mas se um dia o teu restaurante deixar de ter cliente sei que acabas contigo.
Consegues sempre surpreender-me. Depois de lá ter ido a primeira vez, houve outra em que me serviste em primeiro lugar a sobremesa. Eu sempre comi tudo sem medo do que iria saborear. Eu confiava em ti. E acho que ainda confio, apesar de já teres cometido uns descuidos.
Falas pouco. Limitas-te simplesmente a agir. As tuas mãos e a tua cabeça são as únicas coisas que trabalham. Gostava de saber a tua história. De onde vieste e como nasceu essa paixão. Quem é que tiveste - se é que esteve alguém - contigo na tua vida. Pelo que sei, a vida já te ensinou muita coisa. E tu tiraste proveito disso para te dedicares ao que és hoje: um Cozinheiro de Excelência. Pouca gente conhece esse teu jeito. O restaurante não está ao saber de todos. Mas eu acredito que um dia te darás a conhecer ao mundo. Porque sei que no fundo queres.
Abriste-me as portas do teu restaurante, sem quase olhar o tipo de cliente que eu era. Ou então fizeste-o sem eu perceber. Tens uma entrada convidativa. Sentei-me e já calculava mais ou menos o que trazia o menu, tinham falado imenso de ti e sentia que já te conhecia de ginjeira. Estava ansiosa por ver o que eras mesmo capaz de fazer naquela cozinha. Escolheste por mim. E não esperei muito até ter a comida pronta e quente á minha frente no prato. Pareceu-me ser apenas uma entrada, disseste que não te tinha dado muito trabalho que era simples, mas de chorar por mais. Só me lembro da primeira garfada e depois o prato vazio. Estava verdadeiramente sublime. Queria chamar-te para te dar os parabéns, mas já sei como és. Um elogio eleva-te demasiado. Penso que viste na minha cara que achei aquela entrada divinal. Ficaste a observar-me o tempo inteiro. Interessava-te que eu gostasse, não que fosse importante para ti.
Na tua cozinha só tu tens lugar. Acho que poucas ou quase nenhumas foram as pessoas que lá entraram. Parece que esconde um segredo enorme. Bem, afinal de contas é lá que se passa tudo. É esse sítio que faz o teu negócio crescer. Uns dizem que os teus menus são sempre os mesmos e estão fartos de lá ir. Outros não se cansam dos mesmos sabores porque te amam enquanto cozinheiro e sabem que sabes variar a ementa. Tens um jeito tão teu. Nunca vi nada assim. Pareces não precisar da ajuda de ninguém. Achas que sozinho chegas a tudo o que quiseres. E até é um bocadinho verdade. Tens cabeça suficiente para segurar tudo. Isso já eu vi mais que bem. Não deixas que nada falhe para o teu lado, porque se correr mal para alguém não te importa. Mas se um dia o teu restaurante deixar de ter cliente sei que acabas contigo.
Consegues sempre surpreender-me. Depois de lá ter ido a primeira vez, houve outra em que me serviste em primeiro lugar a sobremesa. Eu sempre comi tudo sem medo do que iria saborear. Eu confiava em ti. E acho que ainda confio, apesar de já teres cometido uns descuidos.
Falas pouco. Limitas-te simplesmente a agir. As tuas mãos e a tua cabeça são as únicas coisas que trabalham. Gostava de saber a tua história. De onde vieste e como nasceu essa paixão. Quem é que tiveste - se é que esteve alguém - contigo na tua vida. Pelo que sei, a vida já te ensinou muita coisa. E tu tiraste proveito disso para te dedicares ao que és hoje: um Cozinheiro de Excelência. Pouca gente conhece esse teu jeito. O restaurante não está ao saber de todos. Mas eu acredito que um dia te darás a conhecer ao mundo. Porque sei que no fundo queres.




