Posso considerar-te desconhecida, porque ainda não te sei decor, nem tão pouco mais ou menos. Só um bocadinho, porque és muito pura (e ainda vais ficar mais, vais deixar de fumar). Não sei o porquê de escrever sobre ti. Preciso e acho que isso chega. Fico a observar-te uma eternidade. Os teus cabelos pretos. A tua roupa super normal. Os teus olhos. Vejo o quanto por fora não és portuguesa. A tua boca, os dentes. A tua franja mal apanhada. Vejo-te trabalhar, enganares-te e fazeres-me rir com os palavrões que despejas por teres dito mal uma palavra. Vejo-te ficares cansada, mas continuares porque tem que ser. A sorrires quando olhas para mim e vês que me estou a desmanchar por dentro. O teu gozo. O teu jeito de maria-rapaz. A tua porquice a comer. A defesa que fazes ás tuas origens. A alma que pões na representação. A tua vontade de mandar alguém para o caralho mas manteres-te calada. Lembro-me que tens sido o meu calor humano. És uma pessoa extraordinária. És linda. O pouco que me tens dado de ti tem sido imenso. Um dia digo-te isto.
Dou por mim com uma vontade quase involuntária de te querer abraçar até ficares sem ar. E aí ainda fico mais parva a olhar para ti. Não faço nada. Quer dizer, no outro dia fiz. Dei-te o abraço que precisava. E dei-te imensos beijinhos e disse que eras fofinha. Opaah, que lamechinhas.
Acho que te estás a tornar uma pessoa com alguma importância na minha vida.
Obrigada j, obrigada.
(reparei que é assim que começo a gostar realmente das pessoas, a observar. melhor!, reparei que me apaixono pela beleza interior das pessoas)


