domingo, 19 de setembro de 2010

Deixa-te de meter guardanapinhos nas pernas à refeição. Não precisas de te sentar sempre direita. Não tens que comer com calma e em silêncio.
Se não queres isso, porque é que continuas a fazê-lo? Não está escrito em lado nenhum que tens que agir assim. Se a tua maior vontade até é mandar os pratos todos pelo ar, MANDA! Não interessa se é correcto ou não. Esquece o que é que as pessoas irão pensar. Faz o que queres AGORA. Aproveita.
Deixa-te de merdas.

domingo, 12 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sapatos de salto alto com asas

Eu só te quero ver bem. Por isso, vai-te embora. Tu precisas. Precisas de algo novo
e não há nada melhor neste momento que não partires. Por mais frágil e sozinha que me sinta, não te preocupes, eu por ti vou ficar bem. Vou dar um grande pulo.
Vem aí um ano novo. A minha vida vai mudar bruscamente e eu preciso de ti mais que nunca. Foste tu que me deste força para isto e sempre disseste que fazias tudo para eu ter aquilo que sonhava, então aqui vou eu. Vou lembrar-me de tudo o que me deste e espero ter força para começar este ano lectivo tão desconhecido sem ti. Não quero deitar nem mais uma lágrima. Eu sei que sou capaz. Se ao eu sorrir tu também sorris, então prometo-te sorrir sempre.
Vai. Não olhes para trás. Vai fazer-te bem. A nossa casa vai ficar vazia, mas é para teu bem e isso vale a pena. Vou retribuir tudo o que fizeste por mim. Eu vou ficar aqui a orar para que tenhas sorte e recuperes a tua felicidade que há tanto perdeste. Tu mereces. Vou sentir muito a tua falta. Afinal, és minha Mãe.
Eu tenho quem fique comigo, não quero que olhes para trás por mim.
Vai. Ás vezes precisamos de nos afastar de tudo o que é nosso para recuperarmos o que éramos. Tudo ao início custa muito, mas eu vou habituar-me. Sou forte. Sempre fui. Eu tomo conta de mim com tudo aquilo que me ensinaste. Já estou uma mulherzinha. Não precisas mais de me segurar nas mãos para eu andar.
Faz as malas e pelo menos uma vez na vida pensa em ti e só em ti. Eu estou a ver a nossa casa a desmoronar-se. Estás cada vez mais triste e doente. Não tenhas medo de ir. Vai como nunca foste. Deixa cá tudo o que não interessa. Quando voltares tudo estará bem. Eu acredito. Unidas numa só vamos sair desta.


P.S.- E é assim que mais uma vez és obrigada a mudar a tua vida por uma pessoa que não te merece nem te quer ver feliz. Quando for verdadeiramente crescida, não irei deixar que façam o mesmo comigo. Isto pelo que já te vi sofrer.

3, 4 e 5

Sinto que ganhei poderes e que voei, mas voei mesmo.
Dancei e pulei até quase vomitar. Esqueci que existia a vergonha. Corri até ficar sem forças só para sentir uma coisa de 5 minutos. Deitei-me onde quis, porque sentia que tudo me pertencia. Chorei por ver tanta gente a sorrir como sempre faço. Quase não comi, porque a euforia alimentava-me. Falei com pessoas que nunca mais vou ver na vida, mesmo dizendo as coisas mais estúpidas elas levavam-se na conversa. Tirei fotografias, porque é sempre bem ficar com vestígios concretos daquilo que aconteceu. Quase desmaiei de tanto calor e também chorei por isso. Fiquei com relva em todo o lado, incluindo nas cuecas. Matei saudades. Se calhar até fiz asneiras, mas não faz mal porque foi isso que me fez sentir viva como há muito não me sentia. E não, não admito que me digam alguma coisa a respeito disso. Estive-me completamente a cagar para os laços e compromissos que tinha com as pessoas que gosto.
Eu voltei a mim. Encontrei-me de novo. Todos os fósforos se acenderam e até quis morrer por não aguentar tanta explosão ao mesmo tempo. Estive num mundo igual a mim. Muito diferente a este cá de fora. Um mundo em que a entrada se paga 19,50€ por 3 dias. E onde ninguém se queixa, vivem simplesmente e deitam tudo cá para fora. É assim que devia ser sempre. Sujei-me toda e deixei de dar importância ao que aparentava porque todos faziam o mesmo. Aprendi muitas coisas, porque eu gosto de aprender tudo o que posso onde quer que vá. Bebi e fiquei um bocadinho baralhada, mas lembro-me de tudo. Fiquei sem voz e senti que levei uma tareia. Não dormi as noites inteiras e bebi tanta água que até fiquei parva comigo mesma.
Valeu a pena. Porque aquilo fez-me ver o que eu era verdadeiramente. Comecei a ver as coisas de outra maneira e agora é tudo muito mais fácil.
Estou-me a cagar simplesmente.
O meu cérebro está um bocado lento, ainda. E parece que entrei numa corrida onde não irei encontrar a minha meta. Mas vou encontrar e não vou parar agora.
Não quero.
E nestes 3 dias senti que fui eu, a Inês Realista Moura. Como nunca tinha sido.
Já não sei se me fez bem ou mal. Foi positivo e ESTOU TODA ATROFIADA! Mas sei o que faço.
Eu estou bem, acho que estou mesmo bem.

Ai

Eu acho que já não me conheço.
Isso é muito mau? É que eu estou a gostar.