sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Para sempre" até querermos- direitinho do coração para aqui.

Eles encontraram-se. O menino A e o menino B. Ainda não tinham a verdadeira noção das coisas quando isso aconteceu, mas acho que para o que se passou ao longo dos 3 anos seguintes, isso não teve importância. Porque apesar da noção que lhes faltava gostavam do que faziam e sentiam o quão doce aquilo era.
Aquela aldeia junto ao rio não era grande nem pequena. Mas o início do rio não era o início da aldeia e o fim não era decididamente o final do rio. Chegava para alguém ser feliz. E eles foram-no.
Sentavam-se de pés mergulhados no rio e as primeiras conversas eram para descoberta um do outro. Não se cansavam. Era tudo tão novo, tão por descobrir que o sentimento de eternidade era inevitável.
Passado um tempo dos primeiros dias o que era relevo na aldeia deixara de ser (o rio). E sabem o que passou para o seu lugar? O sorriso transbordante daqueles dois meninos. A felicidade. Encontraram-se um ao outro e agora “iguais” acreditavam mesmo que as suas aventuras seriam para sempre. Aventuras em que arriscavam sem medos, tinham a segurança e a companhia um do outro. Nada podia ser pior que se perderem.
O rio era demasiado largo e extenso, o que os impedia de nadarem e passarem de um lado para o outro. A corrente para sul tornava-o perigoso. Isto ansiava-os, porque era um mundo oposto ao habitual. Durante tempos aquele lugar do outro lado do rio ficava mais pequenino nos seus pensamentos, mas nunca o esqueciam.
A aldeia estava cheia de outras crianças, mas o que interessava ao menino A e ao menino B é que se tinham um ao outro. O resto não importava.
Corriam pela relva verde e nova até mergulharem e ficarem encharcados no rio. Os peixes colavam-se às suas pernas enquanto lá estavam dentro. Desapareciam na floresta, horas a fio por detrás da aldeia, pensando terem o comando do tempo na mão para o poderem parar e andar. Eram incansáveis. Adoravam-se. Pareciam UM.
Como tudo, também tinham os seus dias maus. Lembro-me bem das zangas. Eram sempre iguais. Um dos dois meninos tirava os pés frescos do rio, numas das melhores tarde do ano que até um vento quente traziam ao pôr-do-sol, punha-se de pé com decisão e fazia um ar de quem ia ficar chateado para sempre com o que tinha acontecido, mas que no dia a seguir voltava para brincar com um sorriso maior que ele próprio. Um sorriso de quem dormia com a certeza de que o menino B não o deixaria e na manhã seguinte estaria lá, como se aquela zanga não tivesse acontecido. E era verdade. Estava lá e da mesma maneira que o menino A o tinha deixado.
Brincavam todos os dias. Desde o nascer do Sol, até á Lua alta de cada noite. Sem sono e a custo cada um ia para sua casa, como se as aventuras não os desgastassem.
Inseparáveis. Foi no que se tornaram. Não existe palavra melhor.
Já vos falei do que combinaram depois da primeira aventura? Teriam dois vasos. Um para quando, sentissem que gostavam mais um do outro, colocarem uma pedra. E outro para quando se magoassem. Ao fim de um tempo, o do Sol (como lhe chamavam) estava quase cheio e o da Lua estava praticamente vazio. Chegavam a pôr cinco pedras ao mesmo tempo no vaso do Sol, mas também quando havia as zangas que vos falei, apetecia-lhes tirar de lá todas as pedras e colocá-las no vaso da Lua. Era batota, nunca o fizeram. Chegou uma altura que já tinham dois vasos do Sol. Imaginem. Não esquecendo que o da Lua estava quase cheio, mas um quase GRANDE.
Eles aproveitavam tudo o que lhes pertencia e foram verdadeiramente felizes. O mundo em que o menino A e o menino B viviam era impossível de entrar e sentir o mesmo. Tropeçaram, levantaram-se, sorriram, viveram e cresceram juntos. Tiveram tudo. O que poderiam querer mais? A perfeição? Sabiam que não existia, mas dando conta dos pormenores e muita coisa á sua volta, tudo era perfeito. Quereriam o “para sempre”? Acreditavam firmemente. Mas esse é até um dia. E foi… Ou não. Tudo é para sempre, mas não para sempre o mesmo. E as coisas mudaram. O menino A teve que ir viver para o outro lado do rio. Porque a vida é assim. A vida tem mudanças e temos que saber aceitá-las. Os meninos não se conformavam de tal coisa. Não achavam bem. A sua inocência não os permitia ter um pensamento mais alargado sobre isso, por tal, sofreram. Choraram. Aí o comando do tempo já não lhes pertencia. Aí viram que as coisas andavam para além daquilo que tinham vivido e havia muita vida pela frente.
Os vasos pararam de encher. Nenhum dos dois se aproximava do rio. O menino A de um lado e o menino B de outro. Até ao dia que no lugar do sofrimento passou existir hábito e saudade. A reaproximação do rio foi um choque. Os seus reflexos brilhantes e unidos que viam na água, estavam agora sozinhos e sem cor. Viam-se ao longe, mas mal e acenavam. Não havia maneira de voltarem a estar juntos. Respiravam fundo e até o ar parecia ter mudado. O antigo tempo dourado agora não era nada. Tinha ido com a corrente do rio. Era impossível voltarem a ser alguma coisa divididos por um obstáculo tão grande. Pensavam eles. Chegaram a fazer um concurso de pesca. Mergulhavam ao mesmo tempo e viam quem aguentava mais tempo debaixo de água. E em vez de usarem os vasos que sempre usaram para exprimir o que estavam a sentir, mandavam as pedras para o rio. Descobriram que nada tinha acabado, apenas tinha ganho uma nova vida. E podiam ser felizes com ela. Basta querer. Mesmo que um dia tenham que se separar verdadeiramente, porque não há nada na vida sem separação (física), têm a certeza que durante aqueles anos amaram e foram FELIZES.
Isto é o que somos e seremos. Meninos juntos hoje e separados depois. Um em cada lado do rio, mas nunca nos esqueceremos que um dia vivemos juntos e que um dia os nossos corações de uniram para sempre. Espero que consigam encontrar o que querem do outro lado do rio. Espero que continuem a ser felizes. Seguir sempre em frente e com muita sorte. Porque todos merecemos. Não tenham medo de fazer mudanças e não se encaixem nas dúvidas. Nunca se arrependam de nada. E não chorem, porque enferrujam.

7º,8º e 9ºC

Qual é coisa qual é ela que me magoa mas eu amo?

Tu.

terça-feira, 20 de abril de 2010

os dois

Sinceramente?

Doeu.

Mas o vento já levou esse sentimento, porque eu estou á espera.

Ainda acredito.

E juro que se no fim tu não chegares, eu não espero mais, nem olho mais para trás.

Não tenho aquilo, mas continuo a ter-te a ti.

E se te continuo a ter a ti não posso exigir mais.